Estudo alerta sobre os perigos das microesferas de plástico na natureza

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iStockphoto.com / ElenaTa Partículas correm poluir rios e lençóis freáticos.

Especialistas norte-americanos intimaram as autoridades e pediram a proibição total das microesferas de plástico que são usadas em cremes dentais, sabonetes líquidos, gel para ducha, esfoliantes e outros produtos cosméticos.

O alerta veio depois da revista Environmental Science and Technology ter publicado um estudo que revelou que, somente nos Estados Unidos, oito trilhões de microesferas de plástico acabam indo parar nos habitats aquáticos, todos os dias, pelo ralo das casas. A quantidade é suficiente para cobrir a superfície de 300 quadras de tênis.

Microesferas são bastante poluentes

A pesquisa, conduzida por pesquisadores da Oregon State University, mostra que as estações de tratamento de esgoto não foram projetadas para lidar com essa substância, que não é biodegradável e é altamente poluente. Dessa forma, é provável que muito deste plástico vá para os rios, canais, lençóis freáticos e até mesmo nas terras cultivadas para a agricultura e na água potável que bebemos.

Além disso, outro meio de contaminação humana é por meio dos peixes e os frutos do mar, que confundem as microesferas com comida de verdade. O plástico pode bloquear os sistemas digestivos e impedir a absorção dos nutrientes que os animais necessitam.

Os dados numéricos divulgados são apenas uma estimativa, já que os valores foram calculados com base em pesquisas anteriores, expressos em medidas cautelares. No entanto, há muito dessa substância em circulação, o que pode aumentar esse número ainda mais.

Países já se preparam para reverter o problema

Para reverter o problema, nos Estados Unidos, alguns estados já começaram a tomar medidas que proíbem o uso da substância em produtos. No entanto, apenas a legislação não é suficiente.

No ano passado, no Brasil, a Associação Brasileira do Lixo Marinho abriu uma petição online endereçada à empresa O Boticário, pedindo a retirada das microesferas de seus produtos cosméticos. Em outra petição, a mesma associação pede para que a ANVISA proíba o seu uso em todos os produtos cosméticos brasileiros.