Banda nacional de rock progressivo já falava sobre sustentabilidade na década de 70

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Recordando o Vale das Maçãs
Recordando o Vale das Maçãs.
Foto: consultoriadorock

“É só você se conscientizar que a vida vem da luz da natureza.” Embora o conceito de “sustentabilidade” tenho sido recentemente inserido às preocupações dos governantes e ao cotidiano da população, o assunto já se fazia presente nos versos das músicas compostas pela banda de rock progressivo nacional Recordando o Vale das Maçãs, fundada por Fernando Motta (violão), Domingos Mariotti (flauta) e o guitarrista Fernando Pacheco, em 1973.

“Eu quero respirar ar puro sem poluição”, diz a letra da canção “Ranchos, Filhos e Mulher”, no disco “As Crianças da Nova Floresta”, lançado em 1977. Sem perder a “pegada” ecologicamente correta, o conjunto passou por reformulações e, atualmente, mantém integrantes clássicos como Luiz Aranha (violino), Sergio Lombardi (baixo), Lee Eliseu (teclados) e Ronaldo Mesquita (baixo), também conhecido como “Gui”.

“O grupo realmente já possuía uma postura de conservação do meio ambiente e negação do consumo desenfreado, o que aumenta a exploração dos recursos naturais”, conta Ronaldo Mesquita. Com a “ideia era viver da maneira mais simples possível”, o baixista e os outros músicos buscam existir de maneira sustentável: “Não comemos carne vermelha, mas cultivamos hortas”, afirma.

“Eu quero ter minha casa cheia de amigos bons, com bichos de toda maneira e com muito som”, segue o verso da música que, apesar de ter sido composta na década de 70, prega simplicidade no estilo de vida, pois, de acordo com Ronaldo Mesquita, os membros fazem até meditação, e convívio bom com animais, um tema amplamente debatido hoje. Além disso, as letras produzidas pela banda Recordando o Vale das Maçãs estimulavam a sustentabilidade social: “Escrevíamos sobre uma forma diferente de viver. Pode até parecer papo de igreja, mas incentivávamos o amor ao próximo”, brinca Ronaldo.

“O grupo realmente já possuía uma postura de conservação do meio ambiente e negação do consumo desenfreado, o que aumenta a exploração dos recursos naturais”, Ronaldo Mesquita, baixista do Recordando o Vale das Maçãs.

“Quanto às canções, o grupo sofreu influência de algumas bandas estrangeiras, mas o nosso som sempre foi moldado a partir de músicas clássicas”, garante Ronaldo, justificando a presença de violinos e flautas nas melodias. A mistura fez tanto sucesso que o conjunto atraiu o interesse da TV Tupi, assinando até um contrato com a emissora, que vinculou clipes deles na programação. Porém, antes que os integrantes da banda alcançasse o status de “rockstars”, a rede televisiva foi fechada.

Assim como o poeta Ferreira Gullar, em seu depoimento ao projeto 20 Ideias para Girar o Mundo, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), o baixista acredita que a arte é uma ferramenta de comunicação capaz de difundir conhecimentos sobre educação ambiental, mas que, no entanto, os interesses da sociedade parecem distantes da preservação da natureza.

“Embora o John Lennon tenha aparecido com aquele papo de que o sonho acabou, éramos um bando de idealistas tentando mudar o comportamento consumista. Um tanto apolíticos, talvez anarquistas, porém, cheios de boa vontade”, lembra Ronaldo que, ao contrário do ex-beatle, não deu o caso por encerrado e garante que o grupo segue cantando, trabalha na produção de um novo CD e mantém a postura sustentável. Composta por visionários, a banda Recordando o Vale das Maçãs dá um verdadeiro show de consciência ambiental, servindo como exemplo às novas gerações e inspiração aos artistas atuais.

Recordando o Vale das Maçãs
Recordando o Vale das Maçãs.
Foto: kboing