Micróbios raros transformam lodo em cobre utilizável

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Demorou apenas 48 horas para uma garrafa de lodo ocre escuro e tóxico se transformar em algo que se parecia mais com uma cerveja turva tingida de laranja. Dentro do frasco, invisível a olho nu, uma cepa bacteriana recém-descoberta, conhecida apenas como 105, estava corroendo o sulfato de cobre tóxico para deixar átomos de cobre puro. A bactéria havia sido encontrada na lagoa de rejeitos de uma mina brasileira e estavam concluindo sua tarefa com um pouco da poluição e da energia que a indústria usa para produzir resultados semelhantes.

“Os micróbios podem fazer isso de uma maneira muito limpa”, disse Debora Rodrigues, engenheira ambiental da Universidade de Houston e uma das co-autoras de um estudo publicado este mês na revista Science Advances. Produzir uma mudança semelhante usando processos industriais é “uma química muito difícil e muito suja”, acrescentou ela.

Debora e o time de pesquisadores descobriram a bactéria por acidente enquanto procuravam micróbios que pudessem produzir nanomateriais. Enquanto trabalhavam com certos micróbios, eles notaram a mudança de cor do líquido que estavam usando para cultivar bactérias. Um exame mais detalhado revelou que uma bactéria estava consumindo íons de cobre carregados positivamente (Cu2 +), que se formam quando o sulfato de cobre se dissolve na água, e transformando os íons em átomos de cobre neutros mais estáveis.

O sulfato de cobre é um dos muitos subprodutos gerados quando minérios contendo cobre são extraídos e processados ​​para extrair o cobre. É extremamente tóxico para a maioria dos organismos que o ingerem e é difícil de limpar. O estudo indica que esta cepa bacteriana pode ajudar a indústria do cobre a reduzir sua pegada ecológica.
Mas os micróbios não limpam apenas o sulfato de cobre. O fato de deixarem cobre puro significa que os resíduos tóxicos encontrados nas bacias de rejeitos podem ser processados ​​para extrair mais metal utilizável. Enquanto 48 horas é um tempo um pouco longo, Rodrigues disse que os cientistas poderiam otimizar o micróbio para fazê-lo funcionar mais rápido, com potenciais usos para a indústria.

O cobre também é escasso em nosso planeta. Rodrigues disse que alguns acreditam que podemos acabar em 65 anos. O cobre puro é usado em tudo, desde a fiação até painéis solares e tintas elétricas, e aprender como coletá-lo de forma eficiente a partir do sulfato pode ajudar a estender nosso fornecimento global.