Espécie de sapo fluorescente é descoberta na Mata Atlântica

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Pelo menos mil espécies de anfíbios estão em terras brasileiras e mais uma foi descoberta há pouco tempo na região da Mata Atlântica. Trata-se do Brachycephalus rotenbergae, um tipo de sapo-abóbora, laranja fluorescente e do tamanho de uma miniatura, encontrado entre os afloramentos rochosos e riachos na região da Serra da Mantiqueira durante os anos de 2018 e 2019.

Para determinar que se tratava de uma nova espécie, os pesquisadores coletaram análises de DNA e analisaram as características físicas, a estrutura óssea, o comportamento e os registros de acasalamento do animal em comparação com amostras de outros sapos-abóbora conhecidos. No caso, a espécie novata mede menos de 2,5cm, tem um focinho mais diminuto, os ouvidos são subdesenvolvidos e secreta um veneno chamado tetrodotoxina, também encontrado em peixes baiacu. Outras características incomuns incluem padrões pretos desbotados em sua pele de cor vibrante, um provável sinal de que ela carrega uma toxina potencialmente mortal aos predadores. Misteriosamente, esses anfíbios brilham quando colocados sob luz ultravioleta em um comprimento de onda imperceptível aos olhos humanos. A população da nova espécie é desconhecida e ainda não se sabe quantos existem na natureza.

Diversas pesquisas indicam que há uma estabilidade relativa na cobertura florestal nativa da Mata Atlântica nos últimos 20 anos. No entanto, muitas partes do bioma ainda estão ameaçadas pelo desmatamento. Por isso, identificar novas espécies de animais é fundamental para a conservação da biodiversidade, e revela uma diversidade ainda desconhecida, especialmente em regiões que já perderam parte de sua cobertura.

Os animais estudados foram coletados sob a licença do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e do Ministério do Meio Ambiente (MMA). O trabalho seguiu as normas brasileiras de cuidado animal previamente aprovadas pelo Comitê de Cuidado Animal da Universidade Estadual Paulista. O estudo foi publicado recentemente pela revista científica PLOS ONE.