Crianças expostas a substâncias químicas podem ter o QI reduzido

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Especialistas dizem que a exposição de crianças a quatro toxinas analisadas, pode causar problemas de aprendizagem e comportamentais.

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Nova York e publicada na revista Molecular and Cellular Endocrinology, revelou que mais de um milhão de crianças norte-americanas desenvolveram alguma forma de deficiência intelectual após serem expostas a substâncias químicas como pesticidas, chumbo e mercúrio.

A pesquisa, realizada entre 2001 e 2016, descobriu que a exposição ao Éter Difenílico Polibromado ou PBDE (do inglês polybrominated diphenyl ethers), também conhecido como retardador de chamas, foi o que mais contribuiu para a deficiência intelectual, resultando em um total de 162 milhões de pontos de QI perdidos e em mais de 738 mil casos de deficiência intelectual. Além deste, outros compostos químicos como chumbo, organofosforados (pesticidas) e metilmercúrio (composto de mercúrio, absorvido através da pele ou pela ingestão de peixes), também contribuíram para o dano.

O estudo concentrou-se nessas quatro substâncias químicas, uma vez que elas podem ser transferidas da mãe para o feto através da placenta, provocando danos ao desenvolvimento neurológico. E essas substâncias, podem ser encontradas em ambiente domésticos, ou seja, em móveis, equipamentos eletrônicos, carpetes e até mesmo na água ou em alimentos.

Sabe-se que metais pesados, como chumbo e mercúrio, em particular, causam problemas cerebrais e renais. Além disso essas substâncias, juntamente com retardadores de chama e pesticidas, podem interferir na tireóide, que secreta hormônios importantes para o metabolismo do organismo.

Danos irreversíveis

A má notícia é que quando uma criança é exposta a esses poluentes, não há como reverter os danos. Os pesquisadores descobriram que a proporção de perda cognitiva resultante da exposição a essas substâncias tóxicas citadas, aumentou de 67% para 81% durante o período do estudo, ou seja, de 2001 a 2016.

Além disso, os pesquisadores descobriram que a redução do QI também é responsável por uma perda econômica. De acordo com os cientistas, cada ponto de QI equivale aproximadamente a 2% da produtividade econômica vitalícia de uma criança. Portanto, se uma criança pudesse ganhar US$ 1 milhão ao longo de sua vida, perderia US$ 20 para cada ponto de QI perdido. Sendo assim, os pesquisadores concluíram que a perda de QI devido à exposição ao chumbo, mercúrio, retardadores de chama e pesticidas custou aos Estados Unidos cerca de US$ 6 trilhões, entre os anos de 2001 e 2016.