Cientistas criam tecido que se adapta à temperatura do ambiente

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O novo tecido, testado por cientistas da China, pode manter-nos aquecidos no inverno e frescos no verão

Imagine ter em seu armário uma única peça de roupa que seja capaz de se adaptar às mudanças climáticas, mantendo você fresquinho naquele calorão do meio-dia e também aquecido, quando as temperaturas caem drasticamente?

Além de usá-la ao ar livre, essa roupa também poderia ser usada dentro de casa, reduzindo a necessidade do uso de ar condicionado ou aquecedores.

Essa é a promessa do pesquisador Guangming Tao, da Universidade de Huazhong, e sua equipe, que está trabalhando no desenvolvimento de um tecido que seja prático para o gerenciamento térmico. O estudo foi divulgado no periódico ACS Applied Materials & Interfaces.

Uma fibra microestruturada (esquerda) contém poros (direita) que podem ser preenchidos com um material que absorve e libera a energia térmica. Crédito: ACS Applied Materials & Interfaces 2020, DOI: 10.1021.

Como funciona?

Os pesquisadores congelaram seda e quitosana – um elemento encontrado na parte exterior do corpo dos animais artrópodes, especialmente crustáceos, formando fibras coloridas com microestruturas porosas. Esses poros foram preenchidos com polietilenoglicol (PEG), um polímero que absorve e libera energia térmica. Em seguida, eles revestiram os fios com polidimetilsiloxano para evitar que o PEG vazasse.

Com isso, foi possível obter fibras que demonstraram-se fortes, flexíveis e impermeáveis. Para testar as fibras, os pesquisadores as teceram em um pedaço de tecido, forrando uma luva de poliéster.

Quando uma pessoa com esta luva colocava a mão em uma câmara quente (50º C), o PEG sólido absorvia o calor do ambiente, transformando-se em líquido e resfriando a pele, que estava sob o tecido térmico. Então, quando a mão se moveu para uma câmara fria (10º C), o PEG se solidificou, liberando calor e aquecendo a pele.

O processo de fabricação do tecido é compatível com a indústria têxtil existente e pode ser ampliado para produção em massa, dizem os pesquisadores.

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