Laticínios são ruins para o meio ambiente?

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Bem, cerca de 144 galões de água são necessários para produzir 1 galão de leite. Só nos Estados Unidos, a indústria de laticínios é responsável por 2% do total das emissões de gases do efeito estufa. Em 2015, as emissões da indústria equivalentes a mais de 1.700 milhões de toneladas de CO2 representaram 3,4% do total mundial de quase 50.000 milhões de toneladas naquele ano. Isso torna a contribuição dos laticínios próxima à da aviação e da navegação combinadas (que são 1,9% e 1,7% respectivamente). Então, tecnicamente, a resposta para a pergunta no título deste texto é sim.

Globalmente, existem cerca de 270 milhões de vacas leiteiras usadas na produção de leite. Não só os animais contribuem para aumentar as emissões de gases de efeito estufa, mas também os recursos usados para criá-los, já que a conversão da terra alimenta a perda de ecossistemas essenciais. Em suma, a produção de laticínios facilita a mudança climática com a liberação de gases como metano e dióxido de carbono.

Como os produtos lácteos afetam o meio ambiente?

As emissões da indústria de laticínios resultam de processos de alimentação, esterco e fermentação entérica (que se refere essencialmente à digestão do animal). As emissões de amônia vazam de fazendas leiteiras e podem levar à contaminação do ar; o estrume e o escoamento de fertilizantes afetam os ecossistemas marinhos. Isso ocorre porque o aumento das concentrações de nutrientes de fertilizantes como nitrogênio e fósforo no escoamento da água leva a um aumento no crescimento de algas, o que contribui para diminuir o oxigênio disponível para os organismos marinhos.

Os laticínios também desempenham um papel na deterioração da saúde do solo por meio do potencial sobrepastoreio. Se o gado não for rotacionado adequadamente pela terra, os animais pastarão nas mesmas parcelas, o que pode degradar a terra. Em casos extremos, a desertificação pode ocorrer quando o lote sofre uma perda de pelo menos 10% na produtividade.

Laticínios têm diferentes impactos no meio ambiente. Veja o caso dos queijos e dos tipos mais comuns de leite.

Queijos

Os queijos têm uma pegada de carbono muito alta. De acordo com pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Madison, mais de 90% das emissões de gases de efeito estufa que o queijo emite vem da fase de produção de leite. O estudo concluiu que os queijos com baixo teor de gordura, como o queijo cottage ou a mussarela desnatada, levam menos leite para serem produzidos e, portanto, são melhores para o meio ambiente.

Os queijos como o cheddar requerem mais leite para serem produzidos do que os mais macios, como a mussarela. Muitas pessoas preferem o queijo duro por causa de seu conteúdo reduzido de lactose, que ocorre como resultado da decomposição de leite durante o período de envelhecimento. Só que quanto mais tempo um queijo é deixado para envelhecer, mais energia ele leva para ser produzido e os queijos duros requerem temperaturas de envelhecimento constantes. Logo, as versões que fazem sucesso principalmente junto aos intolerantes à lactose não é a mais tolerável em termos de sustentabilidade.

O tempo de transporte de um queijo e a quantidade de água necessária para produzi-lo também fazem diferença em sua pegada de carbono. Portanto, compre local, se puder.

Leites

Com relação aos diferentes tipos de leite, lácteos e não lácteos uma boa dica é comprar leite desnatado ou com baixo teor de gordura em vez de leite integral. Hoje em dia, é do conhecimento comum que o leite alternativo é mais sustentável do que o leite lácteo, já que usa menos terra e água e gera menores quantidades de gases de efeito estufa. No entanto, mesmo entre eles, há uma grande variação no impacto ambiental.

Leite de soja

Ah, a boa e velha soja: o leite original à base de plantas! Em seus dias de glória, a soja era conhecida como a alternativa ideal, popular por seus benefícios nutricionais e sabor e textura de leite. Repleto de potássio e tanta proteína quanto o leite de vaca, o leite de soja costuma também ser enriquecido com vitaminas A, B-12 e D, além de cálcio. Alguns contras: a soja é um alérgeno comum e contém compostos semelhantes ao estrogênio chamados isoflavonas, que em grandes quantidades podem causar problemas de saúde relacionados aos hormônios, como distúrbios da função tireoidiana ou problemas de fertilidade. Em termos de sustentabilidade, a produção de leite de soja tem uma pequena pegada de carbono e usa pouca água e terra.

Leite de amêndoa

O leite de amêndoa entrou no mundo dos alimentos e bebidas vários anos depois da soja e, embora muitos argumentem que é melhor em sabor e textura, seu impacto ambiental é amplamente debatido. O leite de amêndoa tem as menores emissões de efeito estufa e usa menos terra para crescer, mas a produção de leite usa cerca de 10 vezes mais água do que a produção de leite de soja. Além disso, a maioria das amendoeiras está localizada na Califórnia: um estado já sujeito a secas e amplamente dependente da irrigação de água doce. O leite de amêndoa oferece amplos benefícios nutricionais (é rico em vitamina E e geralmente enriquecido com cálcio e vitamina D), mas vale a pena o uso de água? Talvez seja melhor você procurar outra opção de leite à base de plantas.

Leite de aveia

Um item que vem ganhando cada vez mais adeptos e, em comparação com o leite de amêndoa e o leite de soja, tem um impacto ambiental adverso menor. No geral, usa muito menos água e terra, e é responsável por uma fração das emissões de gases de efeito estufa. Além disso, o leite de aveia tem a cremosidade suave que os consumidores de café costumam procurar no leite, o que o torna uma excelente escolha para cafés e baristas domésticos.

Leite de arroz

O arroz absorve água e também produz mais emissões de gases de efeito estufa do que qualquer outro leite vegetal. Além disso, os campos pantanosos também liberam metano no ar e permitem que as bactérias cresçam e, em seguida, sejam liberadas na atmosfera. O arroz é um dos piores poluidores quando se trata de água.

Não, não é necessário eliminar o consumo de leite e derivados para contribuir com a saúde do ecossistema. Informação é o primeiro passo para o consumo mais consciente. Se você consome laticínios, essas descrições de impacto ambiental devem ser um motivo para avaliar eventuais substituições alimentares e/ou frequência de consumo. Qualquer que seja a sua decisão, a dica é dar preferência para produtos certificados e reconhecidos por boas práticas ambientais e de respeito também à saúde animal. E, claro, evitar o desperdício, sempre.