Chimpanzés usados em pesquisas são aposentados nos Estados Unidos

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iStockphoto.com / NickBiemans No início deste ano, o governo americano deu à pesquisa de símios os mesmos direitos de proteção que já eram dados à espécies ameaçadas de extinção.

Os Institutos Nacionais de Saúde (NIH – sigla em inglês) estão aposentando 50 chimpanzés que eram mantidos em seus departamentos como cobaias para experimentos na área de biomedicina. O NIH resolveu levar estes animais para “santuários”, pois desde 2013 não os utilizam para pesquisas.

Francis Collins, diretor do NIH, também anunciou o desenvolvimento de um plano para cancelar o suporte do NIH aos chimpanzés que são auxiliados pela instituição, mas não pertencem a ela. Collins indica que, nos últimos cinco anos, pesquisas desenvolvidas no instituto conseguiram obter seus resultados sem precisar dos testes nos animais e que, por isso, considera a decisão da dispensa a mais correta.

Alguns profissionais da área da saúde pública não concordam com a decisão e consideram o uso dos animais ainda importantes para pesquisas. Até 2013, o NIH aposentou cerca de 310 chimpanzés e manteve 50 restantes que eram reservados para serem usados somente em pesquisas que já possuíam um estágio muito elevado de desenvolvimento. Após 2013, nem mesmo essa reserva de 50 animais foi utilizada.

O NIH atualmente paga a manutenção de diversos animais que já foram aposentados anteriormente em santuários espalhados pelos Estados Unidos, no entanto, a instituição pretende cancelar essa verba, já que os animais são de propriedade do governo. Os 50 últimos liberados serão enviados para o “Paraíso dos Chimpanzés”, um santuário federal em Keithville, na Luisiana.

Decisão gera polêmica

Enquanto alguns ativistas dos direitos dos animais comemoram a libertação dos chimpanzés, outros alertam para a importância de se avaliar os locais para onde eles estão sendo levados, já que essa mudança brusca de ambiente pode causar estresse e doenças neles e nos animais que ainda não possuem contato com eles.

Alguns cientistas também contestam a decisão por defenderem que o uso dos animais ainda é importante para pesquisas. Peter Walsh, ecologista de doenças que trabalha em uma pesquisa na Universidade de Louisiana, em New Iberia Centro de Pesquisa de Lafayette, tenta desenvolver vacinas contra o ebola para chimpanzés selvagens e afirma que seu estudo será duramente comprometido com essa decisão.