Pessoas em situação de rua ganham um banco de currículos

479 Visualizações
iStockphoto.com / adisa Esses brasileiros, antes invisíveis, passarão a receber uma atenção maior.

Atualmente, aproximadamente dois milhões de pessoas se encontram em meio a moradias improvisadas nas ruas, marquises, praças e calçadas em todo o Brasil. O número assustador é maior que a população de cidades como a capital uruguaia Montevidéu, por exemplo. Deste total, no entanto, cerca de 70% exerce algum tipo de atividade remunerada.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Ministério de Desenvolvimento Social, das atividades profissionais mais comuns entre os moradores de rua, 27,2% são ligados à construção civil, 4,4% ao comércio e trabalho doméstico e 4,1% à mecânica. Para reverter a situação de pobreza e permitir que grande parte da população tenha mais acesso a oportunidades, um grupo de publicitários criou o Projeto Olhe.

A ação pretende criar o primeiro banco de currículos online voltado a pessoas em situação de rua, com o objetivo de trazer um novo olhar para essa parcela da população, mostrando que eles têm talentos e habilidades como qualquer um.

A ideia foi baseada na série de livros-infantis “Onde Está Wally?”. Os publicitários Thómas Fernandes, Lucas Cordeiro, Júlia Rebouças, Gustavo Orsati e Edgard Vidal, à frente do Coletivo Criativo F5, se chocavam com a situação de vulnerabilidade social aliada à rotina profissional do mercado publicitário. Por serem de cidades diferentes, a quantidade de pessoas vivendo nas ruas de São Paulo foi algo que impactou a cada um individualmente. O projeto nasceu, então, após diversas conversas e discussões sobre o tema.

Segundo os idealizadores, foi realizada uma comparação entre o famoso personagem e a condição daqueles que não tem uma moradia para viver. Ambos são praticamente invisíveis em meio à multidão, mas no caso de Wally, o desafio é resgatá-lo do anonimato, enquanto a população de rua segue no esquecimento.

Para eles, a maior dificuldade é conhecer o assunto a fundo. Apesar da leitura de diversos materiais e pesquisas, dos contatos com profissionais e instituições para tentar entender a heterogeneidade do assunto, há ainda uma grande necessidade de aprendizado.

O banco de currículos está em processo inicial de formação. No site é possível encontrar a história de quatro pessoas que têm habilidades diferentes e estão dispostas para o trabalho. Mas, para viabilizar a ideia, o grupo está em busca de parcerias com instituições para colocar novos currículos na plataforma e fazer com que mais gente seja beneficiada.

Assista ao vídeo e conheça o Projeto Olhe: