Campanha “Saco é um Saco”

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Sacola
Foto:wygd

A campanha “Saco é um Saco”, do Ministério do Meio Ambiente, superou as expectativas e conseguiu reduzir 33% dos 15 bilhões de sacos plásticas produzidos em 2009, o equivalente a 5 bilhões. O objetivo inicial era conseguir a redução de 10% até o final de 2010.

A campanha teve a participação ativa de grandes companhias, como as três maiores redes de supermercado no país, Walmart, Pão de Açúcar e Carrefour; as empresas Kimberly-Clark; Livraria Saraiva; CNT; Rádio Câmara; Gol Linhas Aéreas; CPFL; e instituições de referência em sustentabilidade, como o Instituto Akatu, que estimula o consumo consciente, e a WWF, ONG ambientalista mundial.

Para atingir o consumidor, foram produzidos 19 spots de rádio, três filmes – exibidos no canal Futura e nas salas de cinema da rede Rain – e dois concursos cultuais. Os envolvidos também estimularam o uso de ecobags, a rede Pão de Açúcar, por exemplo, vendeu 200 mil sacolas retornáveis nesse período. Já o Ministério do Meio Ambiente distribuiu mais 200 mil gratuitamente.

Cada um fez o que pôde para estimular o consumidor, os varejistas, as indústrias e o poder público a encontrar soluções para se adaptar à falta de sacolas plásticas. A empresa de produtos de higiene, Kimberly-Clark, facilitou a vida de seus clientes e incluiu alças às embalagens de papel higiênico.

Muitos famosos também abraçaram a causa, como a Xuxa, a Maitê Proença e a Christiane Torloni, bem como o integrante do Afroreggae, José Júnior e o surfista Teco Padaratz, que gravaram spots veiculados em mais de duas mil rádios comunitárias.

Além de contribuir para o meio ambiente nacional, essa mobilização foi muito importante para a imagem do Brasil no exterior. Com a campanha, o país cumpriu com seus compromissos no Plano de Ação para Produção e Consumo Sustável, ligado ao Processo de Marrakech, coordenado pelas Nações Unidas, do qual participa desde 2007.

Saco é um Saco
Foto: meioambientepoa

A ação também foi citada no site da Consumers International como um bom exemplo de prática voltada para o consumo sustentável. No cenário internacional, a campanha colocou o Brasil no grupo de países que já estão fazendo algo para diminuir o impacto ambiental das sacolas.

Os resultados impulsionaram a Associação Brasileira de Supermercado (Abras) a estipular metas de redução para o setor varejista, abrangendo pelo menos 76 mil estabelecimentos. Este desafio é um pacto setorial firmado com o MMA, prevendo a redução de 30% das sacolas plásticas nas lojas brasileiras até 2013 e 40% até o ano seguinte, tendo como base a produção de 2010.

Algumas redes de supermercados pegaram carona e estabeleceram suas próprias metas. O Walmart, por exemplo, pretende reduzir 50% das sacolas até 2013 e o Carrefour quer bani-las de suas lojas até 2014.

Essas atitudes são fundamentais para um futuro mais sustentável e consciente. O que essas empresas estão fazendo é educar o consumidor e estimulá-lo a exigir ainda mais atitudes sustentáveis por parte da indústria e do governo.

Ecobag
Foto: imprensagpa

O uso de ecobags diminui o consumo do petróleo, economizando energia e reduzindo a emissão de gás carbônico. Além disso, quanto menos sacolas plásticas forem usadas, menor é o risco de que elas cheguem às correntes marinhas e acabem provocando o sufocamento de animais que a confundem com alimento, como as tartarugas.

A diminuição da poluição ambiental é fundamental em um país como o Brasil, no qual apenas 36% das cidades contam com planejamento de gestão do lixo. Já a diminuição da contaminação do ar, benefício secundário com a redução do uso de sacolas plásticas, é importante para a saúde e a vida da população, visto que 4 mil pessoas morrem, todos os anos, por doenças ligadas à poluição.

Uma mudança de ato simples, como usar sacolas retornáveis e incentivar o próximo a fazer o mesmo, pode melhorar a qualidade de vida de muitas pessoas, bem como salvar a vida de animais. É sempre importante ter em mente que não estamos sozinhos no planeta, nós temos de dividi-lo com centenas de outras espécies, tão importantes para a nossa própria sobrevivência.