Em tempos de seca, empresa transforma água do mar em potável

Processo de dessalinização garante uma água com mais minerais que a comum sem alterar sua qualidade

19 de fevereiro de 2015
publicado por
Redação

Crédito: Reprodução G1 / Mariane Rossi Água extraída do processo.

A empresa responsável pela criação da 63 Water Vital Minerals, de Annibale Longhi e Silvio Paixão, se localiza em Bertioga, no litoral de São Paulo, já consegue produzir 16 mil litros de água por dia.

Annibale Longhi explica que sua pesquisa tinha como objetivo aproveitar a água do mar para consumo, além de recuperar os minerais que o corpo humano perde no dia a dia. “Uma célula em equilíbrio deve conter cerca de 100 minerais. Ao longo da vida, você vai perdendo isso”, explicou em entrevista ao G1. O resultado é uma água que concentra 63 tipos de minerais contra os 12 encontrados na comum.

O engenheiro e sócio de Longhi, Silvio Paixão, desenvolveu um laboratório teste que permitiu que ele chegasse a esses resultados. Pelos testes foi comprovado que essa água possui um Ph 7,5, ideal para consumo e que não compromete em nada a saúde de quem a bebe. O pH é a medida que indica a acidez, a neutralidade e a alcalinidade de uma solução. Quanto mais perto de sete mais neutra a substância é.

Após ser retirada do mar, cerca de metade dela pode ser dessanilizada, a outra parte volta para o oceano, mas é despejada em pontos distintos para que os sais que sobraram não causem danos ambientais. Um estudo de cerca de três anos sobre a água fabricada em Bertioga foi feito pela biomédica Lucia Abel Awad, com o apoio da USP e da Unip. Por meio dele concluiu-se que ela está totalmente dentro dos padrões e pode ser consumida.

A Anvisa está em processo de análise para que o produto possa ser comercializado. Por enquanto, os empresários já têm permissão para produzi-la e exportá-la. Países como Alemanha e França já compram a água e estão em processo final de testes – seguindo os padrões europeus – para que em breve ela possa ser comercializada por lá.

A fábrica já tem potencial para produzir 33 mil garrafinhas de água por dia, cerca de 1 milhão de unidades por mês. Devido ao processo de dessalinização, essas garrafinhas poderão chegar a custar duas ou três vezes mais do que uma comum que custa em torno de R$ 1,50. No entanto, o processo pode ser uma boa alternativa para os tempos de seca.