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Medida obriga mercados franceses a doarem alimentos não vendidos

Enquanto quase 800 milhões de pessoas passam fome no mundo, mais de 89 milhões de toneladas de alimentos são desperdiçadas pela União Europeia

14 de janeiro de 2016
publicado por
Redação

iStockphoto.com / adisa Estima-se que mais de 7 milhões de toneladas de alimentos são desperdiçadas na França.

Quinze anos depois de a Organização das Nações Unidas (ONU) colocar como meta a erradicação da fome e da extrema pobreza, os dados ainda continuam alarmantes. Apesar de algumas melhorias, mais de 795 milhões de pessoas ainda passam fome em todo o mundo.

Mas os detalhes não param por aí. Ao todo, um terço de todos os alimentos produzidos no mundo a cada ano, ou cerca de 300 milhões de toneladas, é jogado no lixo. Esse total, que ainda serve para o consumo humano, poderia alimentar mais de 800 milhões de pessoas, segundo dados da ONU. Ou seja, seria possível acabar com a fome.

Para reverter a cultura do desperdício e colaborar para o desenvolvimento mundial, o parlamento francês votou por unanimidade uma medida que força supermercados a doarem os alimentos próximos ao vencimento, mas que já atingiram o limite do tempo para venda. Em outras palavras, eles devem doar aqueles produtos que ficariam nas prateleiras até não poderem mais ser consumidos.

Estima-se que, só na França, 7,1 milhões de toneladas de alimentos vão parar no lixo, sendo que 67% é por parte dos consumidores, 15% em restaurantes e 11% das lojas. Se considerar toda a União Europeia o valor sobe para 89 milhões de toneladas.

Fim da cultura do desperdício

Além de acabar com a fome, a proposta de lei busca acabar com a prática de destruir produtos alimentares – eles eram mergulhados em água sanitária para evitar que eles fossem distribuídos.

A nova legislação permite que as pessoas criem associações, com a aprovação do Ministério da Agricultura, para coletar e distribuir alimentos. A ideia é incentivar a solidariedade e o sentimento comunitário nos cidadãos comuns.

Para o governo francês, a lei, que entrará em vigor ainda em janeiro, é uma “medida crucial para o planeta”. O próximo passo é convencer os Estados membros da União Europeia a introduzirem uma legislação semelhante e, depois, incentivar outros países ao redor do mundo. Dessa forma, os vereadores acreditam que é possível chegar mais perto da erradicação da fome e da pobreza extrema.