Extinção de grandes animais é ameaça para o clima, aponta estudo

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Phys Org Entre as espécies consideradas de grande porte que estão ameaçadas, destacam-se a anta, o macaco-aranha, o bugio, os gorilas e os chimpanzés.

Ameaçados pela caça e tráfico ilegal, as grandes aves e mamíferos que vivem nas florestas têm um papel fundamental em frear as mudanças climáticas. Dessa forma, a perda desses grandes animais pode provocar impactos imprevisíveis no clima do planeta. Pelo menos é o que sugere um estudo liderado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro.

De acordo com os dados obtidos pela pesquisa, os animais são os responsáveis por cuidar da composição da floresta e da quantidade de poluentes que ela pode retirar da atmosfera. Ou seja, ao circular entre as árvores, aves e mamíferos frugívoros (que comem frutos) de grande porte transportam grandes sementes por toda a floresta e garantem espaço para árvores de madeira nobre, como canelas, jatobás e maçarandubas, aquelas com maior capacidade de capturar gases estufa da atmosfera.  Sem elas, as árvores de madeira nobre envelhecem e perdem parte expressiva de seu potencial para estocar poluentes.

Entre as espécies consideradas de grande porte que estão ameaçadas, destacam-se a anta, o macaco-aranha, o bugio, os gorilas e os chimpanzés. Se eles forem extintos, a distribuição das sementes caberá às pequenas espécies, que conseguem carregar apenas as sementes menores que dão origem a árvores de madeira “mole”. Isso diminui o poder da floresta de armazenar carbono.

Perda traz outras consequências

Para os pesquisadores, não é apenas a perda de animais carismáticos. Mas também a perda de interações ecológicas que mantêm o bom funcionamento dos principais serviços ecossistêmicos, tais como o armazenamento de carbono.

Eles afirmam, ainda, que a vegetação também está sujeita a outras ameaças, como raios e fortes rajadas de vento. Em janeiro de 2005, em apenas dois dias de tempestade e com ventos de até 140 km/h, a Amazônia teria perdido até 663 milhões de árvores, segundo um estudo publicado cinco anos depois pela revista “Geophysical University Letters”. Com isso, a captura de carbono naquele ano foi 23% menor do que a média.

Estratégia apresentada na Conferência de Paris pode ser a solução

Durante a Conferência do Clima de Paris muito se falou em “Redd” (sigla em inglês para “Redução de emissões decorrentes do desmatamento e da degradação de florestas”), estratégia que prevê compensações financeiras para governos que preservam árvores.

No entanto, os pesquisadores acreditam que somente isso ou a criação de unidades de conservação não são suficientes. É preciso considerar os animais e sua função como uma parte fundamental na conservação da floresta e no clima.