Cristian Dimitrius: "Minha missão é fazer com que as pessoas se apaixonem pelo planeta"

Biólogo recebe prêmio por sua luta acirrada em defesa do meio ambiente

12 de agosto de 2015
publicado por
Redação

Reprodução /Cristian Dimitrius Há anos Cristian Dimitrius luta pela preservação da natureza.

Muitos já conhecem o trabalho de Cristian Dimitrius. Entre outras atividades, o biólogo, cinegrafista e fotógrafo participa periodicamente do quadro Domingão Aventura, do programa Domingão do Faustão, da TV Globo. E essa dedicação em preservar a natureza rendeu ao profissional o prêmio Prêmio Benchmarking Pessoas. O projeto tem o objetivo de homenagear as pessoas que lutam ativamente pela preservação da natureza e deixam um belo legado para as gerações futuras.

Divulgação / Assessoria de imprensa – Instituto + Cristian Dimitrius rece Prêmio Socioambiental.

Ao recebeu o prêmio, Cristian Dimitrius declarou que sua missão é fazer com que as pessoas aumentem seu desejo pela conservação do planeta. “Fico feliz de dar a minha contribuição e ser reconhecido por isso. Tenho certeza de que ganhei uma força extra na minha missão de inspirar as pessoas.”

Dimitrius conversou com o Pensamento Verde e falou um pouco sobre sua missão difícil e prazerosa de cuidar do planeta.

Pensamento Verde: Infelizmente ainda há pessoas pensando que a falta de ações ecológicas no dia a dia prejudica só o que está próximo a elas, como as ruas do bairro ou um rio local, por exemplo. E a gente sabe que é esse pensamento que afeta a vida de todo o planeta. Como alertar essa parcela da população?
Cristian Dimitrius: Tudo está conectado, então o que fazemos aqui afeta a todos, mesmo estando a quilômetros de distância. O problema é que a Terra tem um tempo diferente do nosso. Por exemplo, se você corta uma área de floresta na Amazônia, apenas vê de imediato o prejuízo à fauna e flora locais, mas, a longo prazo, isso afeta a quantidade de chuvas que caem em todo o Brasil. Isso é difícil de perceber e depende de muitos estudos para explicar esta relação. E muitos destes estudos não chegam ao alcance de todos.

No caso dos oceanos é ainda pior, pois muitas vezes nem conseguimos ver o que está acontecendo. Lixos jogados em uma praia chegam a atravessar para outro continente e no caminho causam diversos danos à vida marinha que, pouco a pouco, vai desequilibrando todo o ecossistema. Existem muitos outros exemplos, mas o importante é frisar que tudo o que fazemos tem um impacto muito maior do que podemos perceber com nossos sentidos. Acredito que é muito importante popularizar a educação científica, mas, enquanto isto não acontece, apenas bons hábitos com relação ao meio ambiente já ajudam. Se alguém percebe um impacto ambiental local tem que agir com o dobro do esforço, pois este é muito maior do que parece.

PV: De onde vem essa paixão pela natureza? Quando você percebeu que era um exemplo para as pessoas que, assim como você, se preocupam com o meio ambiente?
CD: Da infância. Eu nasci no interior de Minas Gerais, no meio das montanhas. Lá vivia brincando nos morrinhos da cidade e voltava sempre sujo pra casa. Adorava este contato com a natureza. Depois entrei para um grupo de escoteiros e a coisa foi ficando séria. Adorava ir acampar e na época tudo era muito rústico, o que não impedia as nossas aventuras pelas montanhas e cachoeiras da região. Naquele tempo já influenciava os amigos levando-os para as aventuras e maior contato com a natureza. Quando chegou a hora de decidir o que fazer da vida não tinha outra escolha, teria que ser algo ligado à natureza, e por isso escolhi Biologia. Paralelamente me formei Instrutor de Mergulho e comecei a levar as pessoas para o mar, assim como fazia com os amigos, só que agora de forma profissional.

PV: Você também passou a aposta na fotografia e nos vídeos para conscientizar as pessoas, certo?
CD: Sim, neste período também tirava fotos das pessoas que mergulhavam e elas levavam estas imagens para compartilhar com os amigos em casa. Vi que esta era uma poderosa ferramenta e, por isso, decidi me dedicar às imagens, levando a natureza até a casa das pessoas. A evolução foi constante, seguindo os sonhos, passando por altos e baixos, mas sempre compartilhando minha paixão e preocupação com o meio ambiente. Hoje vejo que as minhas imagens tocam as pessoas e isso me ajudou a descobri minha missão de vida, que é fazer com que as pessoas se apaixonem pelo planeta, pois uma vez apaixonadas, tenho certeza que elas vão cuidar mais e também buscarão mais conhecimento. Com o tempo, formaremos uma massa crítica capaz de mudar o futuro da Terra, e consequentemente, nosso futuro.

PV: Você acaba de receber o prêmio Benkmarking Pessoas. De que forma ele contribui para o trabalho que você vem realizando?
CD: É um grande reconhecimento de uma vida dedicada à natureza. Digo que é um prêmio mais relevante que um Oscar, pois ele reconhece algo realmente importante para todos nós e não apenas entretenimento. Mais prêmios como este precisam ser dados, o que significa que mais práticas estão sendo realizadas. Precisamos disso, e muito. O prêmio também me motiva ainda mais a continuar nesta jornada e deixar um legado positivo para as futuras gerações.

PV: Conscientizar as pessoas sobre o meio ambiente é um trabalho constante e árduo, mas você acredita que há uma maior preocupação em preservá-lo atualmente?
CD: Apesar de haver mais conhecimento sobre o planeta e o que estamos fazendo com ele, vejo que um grupo ainda muito pequeno realmente se preocupa com o meio ambiente. A maior parte ainda tem uma visão imediatista e não percebe o dano que se pode fazer a longo prazo. Prazo que já não é mais tão longo assim. Existe, sim, uma maior divulgação das práticas sustentáveis e de preservação, mas precisamos popularizar este conhecimento.

PV: E como difundir este conhecimento?
CD: Só a educação e, principalmente, a educação científica, poderão mudar nosso futuro. No meu ponto de vista esta é a única solução. A educação nos faz olhar o planeta de forma diferente e nos permite fazer melhores escolhas para o futuro. Estamos na era da informação, mas poucos sabem que isso não tem nada a ver com educação. Existe uma grande diferença entre ter informação e transformar isso em conhecimento, saber como aplicar a informação, e existe uma passo além do conhecimento, que é o entendimento, a sabedoria, saber o que realmente importa e tomar as decisões adequadas não só para si, mas para toda a humanidade. E somos nós os responsáveis por levantar esta bandeira.

PV: Você é um apaixonado pela vida selvagem. O que ela pode ensinar para o ser humano?
CD: Práticamente tudo, em especial o equilibrio e sintonia com o meio ambiente. A vida selvagem tende a se integrar com o meio e naturalmente encontrar o equilibrio. Nós estamos fazendo o oposto, nos desconectando cada vez mais do mundo real e nos conectando em um mundo virtual. Esqueçemos do ritmo da natureza. Queremos luz 24 horas, não mudamos mais nossos hábitos com as diferentes estações do ano, pois tendemos a fazer as mesmas coisas o ano inteiro, praticamente como máquinas. Isso gera uma sobrecarga no ambiente e que, eventualmente, recai sobre nós.

Reprodução /Cristian Dimitrius Álbum – Alcatrazes

PV: É possível fazer uma analogia entre o nosso comportamento e o dos animais?
CD: Um animal em sintonia com o meio tem um ciclo no qual ele é mais ativo em uma determinada época do ano e menos em outras. Ou seja, muda seu consumo alimentar de acordo com o que estiver disponível, trabalha no ritmo do seu ambiente, dando o devido descanso que o seu corpo precisa, entre muitas outros comportamentos e analogias que poderíamos destacar. Nós trabalhamos dia e noite em ritmo frenético no verão, outono, inverno e primavera. Quase não percebemos mais a mudança das estações… É algo extremamente prazeroso e que dá um tempero extra na vida dos que vivem com mais contato com a natureza. Queremos comer as mesmas coisas o ano inteiro, forcando uma industria a produzir em massa alimentos que necessitam de muita energia para serem produzidos fora de sua estação. Não podemos esquecer que somos seres vivos e não maquinas, que nosso ambiente tem um ciclo e que devemos respeitá-lo. Melhor ainda, nos sintonizar com isso. Tenho certeza que como os animais, teríamos uma vida mais harmoniosa, e que nosso planeta não sofreria tanto.Não estou propondo uma volta ao tempo das cavernas. Só acredito que precisamos alinhar nossas tecnologias ao ritmo da Terra e não ao contrário.

PV: Para quem deseja começar agora a mudar seus hábitos em prol do meio ambiente, quais dicas você daria? Quais os primeiros passos para se tornar mais amigo do planeta?
CD: O primeiro passo é fazer uma escolha verdadeira. Dizer pra si mesmo: “eu quero ajudar o meio ambiente”. Só isso já muda o espirito e faz com que a pessoa fique antenada a informações sobre como ajudar. Isso leva ao segundo passo, que é se informar, procurar conhecimentos mais profundos, se educar. O terceiro seria aplicá-los. Existem diversas formas e cada pessoa tem interesse diferentes. Uns vão se interessar mais por reutilização do lixo e reciclagem; outros mais com a água; outros mais com a preservação de espécies e por aí vai. Acho que não dá pra fazer tudo de início e devemos procurar de cara aquilo que mais nos identificamos. Aos poucos, vamos integrando as práticas trazidas por cada um e para que isso aconteça é preciso compartilhar.

PV: Pode deixar uma mensagem para os nossos leitores?
CD: Não guardem conhecimentos e práticas para si! Divulguem!!! Coloque suas práticas na internet, conversem com vizinhos, incentivem a família! Popularizem a sustentabilidade! Juntos, todos nós faremos uma grande diferenca, mas, de início, o principal agente neste caso é você, que já decidiu ajudar o planeta. Temos o dever de compartilhar com o mundo o que sabemos e incentivar as mudanças. A sustentabilidade não é algo gourmet, não é algo chique e não é para poucos. Sustentabilidade é para todos, precisa ser popular e para isso, precisamos da ajuda de todos!