O consumo, o futuro, a sustentabilidade

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São Paulo só cumprirá as metas de descarte de lixo em 2034, com este título a matéria publicada no site Pensamento Verde, em 15 de maio de 2014, coloca: “a capital paulista estima que só poderá cumprir todas as metas de descarte de lixo a partir do período entre os anos 2020 e 2034.”

O que devemos fazer com o lixo que geramos? Continuamos com o descarte inadequado por mais 20 anos? Como ficará o entorno de uma grande cidade como São Paulo?

 

Os sinais que recebemos, não são promissores, temos diversos problemas resultantes de mudanças climáticas, por exemplo. O quinto Relatório de Avaliação feito por cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) coloca que são necessárias mais ações para cortar as emissões de gases de efeito estufa para limitar o aquecimento do planeta a 2ºC até 2100. Para os cientistas, é preciso abandonar os combustíveis fósseis poluentes e utilizar fontes mais limpas para evitar o efeito estufa, que poderá provocar um aumento da temperatura do planeta entre 3,7ºC e 4,8ºC antes de 2100, nível considerado catastrófico.

E as empresas, os consumidores, estamos preparados para decidir entre a sustentabilidade do planeta e a necessidade de crescimento contínuo do consumo?

O problema de escassez de água enfrentado por São Paulo, nos mostra que não temos consciência da gravidade e da dimensão de nossos atos.

Infelizmente não estamos preparados para repensar em como planejar o crescimento, a médio e longo prazo em favor da sustentabilidade do planeta. Redução de consumo e do crescimento das empresas pela escassez de recursos é um tema pouco discutido, pouco analisado.

É possível crescer ad infinitum?

Ainda acreditamos que sim. Todos esperamos a recuperação da economia, o fim da recessão, o aumento do PIB, números positivos sempre. Fomos educados a pensar no crescimento como o único caminho.

Talvez tenhamos que pensar na sustentabilidade com a imagem da redução de custos, do fim do desperdício. Diminuir o consumo de água, porque economizamos na conta, viabilizar a logística reversa porque reaproveitar os materiais é mais econômico.

A Harvard Business School realizou uma pesquisa reveladora da importância da sustentabilidade. Foram acompanhadas 180 empresas americanas, entre 1993 e 2010. Estas foram divididas em dois grupos: alta e baixa sustentabilidade, e o resultado demonstrou:

Um dólar investido nas ações do grupo sustentável em 1993 virou US$ 22,60 em 2010, enquanto no grupo de baixa sustentabilidade foi de US$ 15,40. Em 11 dos 18 anos as sustentáveis foram melhores.

Segundo o professor Robert Eccles, da Harvard, “nos seis primeiros anos as sustentáveis ficam atrás no desempenho, mas depois compensam”.

Como confirmado pela pesquisa, pensar no médio e longo prazo é essencial para as empresas, os mais de sete bilhões de habitantes e para nossa fonte de energia, o planeta.