Recibos de papel: você realmente precisa deles?

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A maioria não pode ser reciclada devido a produtos químicos nocivos no papel.

O conceito de recibo de venda é obviamente claro: é necessária uma prova de que você comprou algo. No entanto, a maioria das pessoas perde ou desconsidera esses recibos no minuto em que os recebe. Além disso, alguns são tão desnecessariamente longos que mais parecem um pergaminho medieval.

Exageros à parte, será que é realmente necessário toda essa quantidade de papel só para comprovar que você comprou uma simples pastilha para tosse?

Não é porque é papel que é reciclável

A maioria dos recibos de papel, desses que saem após o pagamento nas maquininhas de cartão ou do caixa eletrônico, não é – pelo contrário. Eles são impressos em papel térmico, que contém um produto químico chamado bisfenol-A (ou às vezes bisfenol S) e não pode ser facilmente removido durante o processo de reciclagem.

Os recibos podem parecer pequenos pedaços inocentes de papel, mas somam uma quantidade chocante de lixo. Só nos Estados Unidos, a produção anual deles consome três milhões de árvores e quase nove bilhões de galões de água. Todos os anos, são a causa da emissão de gases de efeito estufa equivalentes a 400 mil carros.

Risco para a saúde

Quase sempre, o bisfenol gera desequilíbrio em nosso sistema endócrino, alterando o sistema hormonal. Em grandes quantidades, seu efeito no organismo pode resultar em uma lista de problemas tão longa quanto os cupons de desconto das farmácias: aborto, anomalias e tumores do trato reprodutivo, câncer de mama e de próstata, déficit de atenção, de memória visual e motor, diabetes, diminuição de qualidade e quantidade de esperma em adultos, endometriose, fibromas uterinos, gestação ectópica, hiperatividade, infertilidade, modificações do desenvolvimento de órgãos sexuais internos, obesidade, precocidade sexual, retardo mental e síndrome dos ovários policísticos.

Alternativas possíveis

Já é possível comprar papel térmico que não contém os chamados reveladores de fenol, que incluem bisfenol. Se um recibo for impresso nesse tipo de papel, aí sim ele pode ser considerado um material de escritório e, portanto, reciclável.

Claro que isso não deixa de ser um avanço, mas a melhor solução mesmo é pedir que os recibos sejam enviados por e-mail. Por mais que já exista uma alternativa não tóxica, a demanda por um produto que gera grande desmatamento todos os anos ainda continua bem ativa e, a bem na verdade, causa um impacto que não se justifica.

Embora ainda muita gente se sinta mais seguro com uma cópia em papel, felizmente, já é cada vez maior a quantidade de compradores que preferem receber um comprovante eletrônico. E existe também uma parcela significativa que abre simplesmente mão deles, principalmente em compras menores ou de baixo valor.

O melhor cenário seriam os estabelecimentos oferecerem opções “a gosto do freguês”: digital, para os mais conscientes, e em papel – mas sem fenol – para os mais apegados.

Fontes: The Hugger | The Hugger | Pensamento Verde