Dia do Reciclador e da Reciclagem do Lixo: conheça as pessoas que vivem do lixo

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Casal de catadores de lixo
Antônio e Fátima Correia, casal de catadores de lixo. Foto: Ingrid Araújo.

O valor desperdiçado anualmente pelo Brasil por não realizar a coleta seletiva em todos os 5.556 municípios chega a marca de R$ 10 bilhões. Algumas cooperativas de reciclagem fazem o trabalho que a maioria das prefeituras não consegue, ou seja, dar o destino correto as 193.642 toneladas de lixo produzido por dia no país, de acordo com a CEMPRE (Compromisso Empresarial para Reciclagem). Neste Dia do Reciclador e da Reciclagem do Lixo, o Pensamento Verde conta a história de quem encontrou em meio ao lixo, uma profissão que ainda contribui para o bem estar da sociedade e meio ambiente.

Um dos representantes da classe de catadores de lixo é o casal Antônio e Fátima Correia, que desde o ano de 2000 recolhe vários objetos recicláveis pelas ruas da Zona Sul de São Paulo. Após ser demitido de uma fábrica de gesso sem receber os direitos trabalhistas, Antônio encontrou na coleta seletiva uma fonte de renda. “Comecei pegando latinhas e papelão. Quando fui vendê-los percebi que rendiam alguns trocados e poderiam me ajudar a pagar pelo menos a conta de água, luz, e a comprar a comida”, conta Antônio.

Moradores da favela de Heliópolis, o casal percorre mais de 15 km por dia empurrando uma carroça em busca de plástico, papelão, latinhas e sucatas. Antônio relata que já chegou a carregar até 617 kg de resíduos sólidos. “Puxar a carroça não é o problema. Fico preocupado com a falta de respeito dos condutores. Há dois meses, uma motorista de ônibus arrebentou metade do meu carrinho quando foi me ultrapassar na Estrada das Lágrimas. Um motociclista chegou a pará-la mais a diante para tirar satisfação, mas não consegui nada. Tive que comprar um pneu usado de R$40 para seguir viagem”.

O casal caminha pelas ruas dos bairros vizinhos onde mora e já conta com o apoio dos moradores que separam o lixo reciclável para eles. De acordo com Antônio, há dias em que o quilo da latinha de alumínio chega a custar R$ 2,50. Já o papelão fica na média de R$ 20 centavos e o plástico, R$ 0,25 o quilo.

Antônio Correia, catador de lixo.
Antônio Correia, catador de lixo.
Foto: Ingrid Araújo.

Correia, saudável aos 57 anos, não se queixa de dores ou problemas de saúde para puxar a carroça de 200 kg pelos seis dias da semana logo às seis horas da manhã. O catador relata que pretende continuar nessa atividade até completar os 65 anos, período mínimo de contribuição com a Previdência Social para alcançar a sua aposentadoria. “Encontrei no lixo uma alternativa de ganhar a vida de forma independente e com o lucro necessário para viver”.

O casal encontrou na reciclagem de lixo uma atividade lucrativa, pelo menos para pagar as despesas necessárias. Mesmo que esta prática seja a realidade de muitos catadores informais os quais de forma indireta auxiliam na limpeza urbana, é interessante fazermos a nossa parte dentro de casa para que esses resíduos possam ser reaproveitados pelas indústrias de reciclagem. Veja a baixo as dicas que podem te ajudar a organizar o lixo em casa e facilitar a gestão dos resíduos sólidos:

1. Separe lixo orgânico de lixo inorgânico

Na hora de separar o lixo pegue o guardanapo usado e limpe o prato. Assim você junta toda a comida que vai virar lixo orgânico em um único lugar, além de economizar água na hora de lavar.

2. Higienize as embalagens

Passe rapidamente uma água nas latinhas de cerveja, refrigerante, iogurte, garrafa PET e outras embalagens de alimentos. Dessa forma você evita o acúmulo de ratos, baratas e insetos que são atraídos por objetos sujos e permite que sejam reutilizadas, pois encontram-se em bom estado.

3. Diminua o tamanho do lixo

Separe papéis e caixas de papelão, rasgue-os em pedaços ou empilhe as folhas, pois o papel amassado ocupa menos espaço, além de facilitar o trabalho do catador de lixo.

Alumínio para reciclagem
Foto: oblogdolixo

4. Amasse as latinhas

Quando possível amasse as latas de alumínio, de preferência com um amassador próprio. Assim você economiza espaço em casa e contribui para a gestão da coleta seletiva.

5. Seque as embalagens

Crie o hábito de secar embalagens tetrapak após o uso e dobre sempre que possível a fim de ocupar menos volume.

6. Separe o óleo de cozinha

Depois de usar o óleo em frituras, armazene em garrafas PET e procure postos de coleta de recolhimento de óleo. Além de evitar o entupimento do encanamento da residência, a prática contribui para a produção de sabão de limpeza realizado por cooperativas especializadas.

7. Embale os resíduos

Certifique-se de que o plástico seja firme para que o lixo não rasgue quando o lixeiro ou catador for transportá-los.

8. Jogue lixo no local correto

Deposite seus resíduos nas lixeiras, se deixá-los pelas ruas, animais e pessoas podem rasgá-los, espalhá-los e poluir as vias públicas.

Desperdício de alimento
Foto: souagro

9. Recicle restos de comida

Cascas de frutas e restos das refeições podem servir de adubo de hortas orgânicas até mesmo dentro de casa.

10. Escolha sacolas biodegradáveis

Esses tipos de sacola tem fácil absorção no meio ambiente e duram bem menos do que as sacolas de plástico convencionais.