A quantas andam as obras contra a crise hídrica em São Paulo?

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Fonte: Moacyr Lopes Junior/Folhapress Cantareira opera com 19,7% da capacidade;  Nível deve diminuir ainda mais nos próximos meses.

O período de estiagem chegou e a pergunta que todo paulistano deve estar fazendo é: a cidade está preparada para enfrentar a época de seca? Com 19,7% da capacidade, cerca de metade do que havia no início da estação seca de 2014, o Cantareira, principal fonte de abastecimento da capital, tende a diminuir ainda mais a vazão nos próximos meses, correndo o risco de secar.

Diante deste cenário, manter a metrópole de 20 milhões de habitantes abastecida é um dos maiores desafios já enfrentados por autoridades paulistas na história da cidade. A falta de planejamento e as ações tardias do governo colocam a população cada vez mais próxima de um cenário caótico de escassez que obrigaria a implantação de rodízio drástico, de 5 dias sem água e apenas 2 dias com.

Para evitar esta medida, o governo anunciou, no início do ano, um pacote de ações emergenciais que visam diminuir a demanda sobre o sistema Cantareira. O andamento das obras previstas neste plano, porém, não é animador segundo especialistas.

De acordo com informações do G1, a principal obra contra a crise hídrica de 2015, a interligação dos sistemas Rio Grande e Alto Tietê, começou na última segunda-feira (4) com cerca de 3 meses de atraso. A obra deveria ter sido entregue já em maio, mas, segundo o governo, sofreu atraso devido à demora do licenciamento ambiental.

A obra fará a transferência de 4 mil litros de água por segundo para o sistema Alto Tietê, ampliando em cerca de um terço a retirada de água do local. O Alto Tietê é hoje responsável pelo abastecimento de 4,5 milhões de pessoas na Grande São Paulo.

Além desta, outra grande intervenção planejada é a ligação do Rio Paraíba do Sul com o Sistema Cantareira. A obra já foi autorizada pela Agência Nacional das Águas (ANA), mas a previsão é de que seja entregue apenas no ano que vem.

Crise vem acompanhada de aumento na tarifa

A falta de água na torneira não é o único problema que o paulistano terá de enfrentar. Em reunião extraordinária na última segunda-feira, a Arsesp (Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo) autorizou a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) a aplicar um ajuste imediato de 15,24% na conta de água.

Para a insatisfação ainda maior da população, ao contrário do que se imagina, o reajuste na conta – que supera a inflação de 4,63% acumulada desde dezembro – não vai acelerar as obras de saneamento na cidade. De acordo com o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, as obras serão adiadas para o próximo ano. Isso porque o aumento autorizado pela Arsesp é considerado insuficiente pela Companhia, que havia pedido um reajuste de 23%.

Sobre o pedido de reajuste ainda maior, a Sabesp alegou à época um desequilíbrio financeiro devido ao aumento de custos com energia elétrica e a redução da receita motivada pelo menor consumo de água.