Poluição vem atingindo camadas mais profundas do oceano, alerta estudo internacional

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Reprodução / Newcastle University – Dr. Alan Jamieson Espécie é uma das ameaçadas pela poluição das águas.

Após um estudo publicado na revista Science, estima-se que 8 milhões de toneladas de lixo sejam jogados nos oceanos por ano. Esse número que se torna assustador a cada ano que passa está causando danos terríveis na biodiversidade e na globalidade do nosso ambiente.

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Agora mais uma notícia bastante preocupante foi divulgada, desta vez na revista Nature Ecology & Evolution. O estudo liderado pelo pesquisador Dr. Alan Jamieson, da Newcastle University, mostrou que níveis surpreendentes de poluição foram encontrados em duas das zonas mais profundas dos oceanos, onde se pensava que nenhuma substância poderia chegar.

O primeiro local onde foram encontrados esses poluentes químicos foi no fundo das Fossas Marianas, um dos abismos mais profundos dos oceanos. Essa fossa está localizada no Oceano Pacifico, entre placas tectônicas, em uma profundidade de mais de 11 mil metros. O que deixou esses pesquisadores mais intrigados foi o altíssimo nível de contaminação encontrado nos crustáceos do local.

Resultados preocupam estudiosos

Os testes realizados com afípodes, um tipo de camarão minúsculo, revelaram que eles apresentavam contaminação de poluentes orgânicos persistentes (POPs, sigla em inglês) 50 vezes superior à de caranguejos que estão localizados em um dos rios mais poluídos da China.

Essas espécies não se disseminam no meio ambiente, sobrevivendo à degradação química, fotolítica e biológica, sendo extremamente tóxica para organismos vivos, incluindo o homem. Entre os poluentes encontrados está o PCB, que é um composto químico sintético muito usado pelas indústrias, e que, conforme foi constatado em pesquisas, está relacionado com o surgimento do câncer, além de gerar um enorme impacto ambiental.

O segundo local encontrado foi próximo da Nova Zelândia, nas Fossas de Kermadec, onde também foram percebidos os mesmos níveis de contaminação. Jamieson explicou ao jornal britânico Guardian: “Ainda pensamos nas profundezas dos oceanos como um reino remoto, a salvo do impacto humano, mas a nossa pesquisa demonstra que, lamentavelmente, isto não podia estar mais distante da realidade.”

Novos estudos avaliarão os impactos ambientais

No Dia da Terra que aconteceu no ano passado, pesquisadores da Agência Nacional de Oceanos e Atmosferas dos Estados Unidos (NOAA) publicaram um vídeo em que latas de presunto, cerveja e sacos plásticos foram encontrados nas Fossas Marianas, após um mergulho feito através de um submarino robótico.

Agora o objetivo do grupo de pesquisadores da Universidade de Newcastle é analisar quais são os impactos que esses resíduos plásticos podem causar na vida marinha dessas regiões profundas dos oceanos.

Para Jamieson, isso só mostra que, infelizmente, não estamos deixando um grande legado para as próximas gerações.

Para ver o estudo completo acesso o link que está disponível na Nature Ecology & Evolution.