Impactos ambientais colocam 100 espécies de lêmures em risco de extinção

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Lêmures
Foto: © Depositphotos.com / leimaneagita

Habitantes da ilha de Madagascar, próxima à costa de Moçambique, na África, as 100 espécies de lêmures correm o risco da diminuição de sua população por conta da ascensão da atividade agrícola, exploração ilegal de madeira, mineração e até questões ligadas às crises políticas. Estes foram os apontamentos publicados na Revista Science, em fevereiro, por uma equipe de 19 cientistas que estudam os nativos primatas. Além disso, para o grupo, as lêmures são o grupo de mamíferos mais ameaçados do mundo.

Segundo os pesquisadores, a destruição do seu habitat causado pelas queimadas, crescimento da agricultura, a sua caça para alimentar populações pobres e a extração de pau rosa e ébano (madeira nobre) são as principais ameaças.

Para Christoph Schwitzer, chefe da pesquisa da Sociedade Zoológica de Bristol, na Grã-Bretanha, em entrevista a Reuters, “as extinções podem começar muito em breve se nada for feito”. Ainda de acordo o pesquisador, a espécie mais rara dentre os mamíferos, conhecida como lêmure esportivo do norte, já sofreu redução da população e hoje tem somente 50 indivíduos distribuídos em uma ou duas áreas de floresta da região.

Schwitzer acrescentou que um ciclone ou outro desastre natural poderia acabar com toda a população. Além disso, qualquer pessoa que decida ir à caça destes animais pode levar a espécie ao limite.

Com o objetivo de amenizar o problema, o grupo elaborou um plano de emergência e preservação dos marsupiais com duração de três anos, que já identificou cerca de 30 áreas prioritárias para a conservação dos mamíferos e sugeriu que elas recebessem maior fiscalização contra os impactos ambientais. Os cientistas ainda argumentam no estudo que o ecoturismo poderia ajudar a pagar os custos da conservação que pode chegar, em média, a até US$ 7,6 milhões.

Lêmures
Foto: © Depositphotos.com / michaklootwijk

Características das lêmures

As lêmures são bem menos avançadas em termos de evolução do que os macacos. O grupo delas é composto por espécies variadas. A menor delas é conhecida popularmente como lêmur-rato de Madame Berthe e pesa somente 30 gramas. Já a maior é da espécie, Indri, chega a pesar em média 9 kg. Criaturas arbóreas, as lêmures se alimentam de folhas, frutos e insetos e possuem os dedos dos pés e das mãos flexíveis, narizes e membros longos.

Embora haja empenho por parte desses pesquisadores para preservá-las, a maior parte das florestas de Madagascar já está desmatada e 94% das espécies de lêmures são agora consideradas vulneráveis, em estado de perigo ou criticamente em perigo.

Crise política ameaça as espécies

As dificuldades econômicas da ilha do Oceano Índico, próxima a costa leste africana, começaram em 2009 com um golpe de estado. Desde então, houve desaceleração do crescimento econômico da região, fazendo com que a população – cerca de 80% das pessoas vivem abaixo da linha da pobreza na ilha – cace lêmures para comer, um dos motivos que levou à diminuição das espécies.

Lêmures
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