Medições da OMM apontam 2013 como o sexto ano mais quente da história

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Temperatura em São Paulo
Foto: Renato S. Cerqueira/Futura Press

De acordo com dados da Organização Meteorológica Mundial (OMM) publicados hoje, o ano de 2013 ocupa o sexto lugar no ranking histórico de períodos mais quentes do planeta com altas temperaturas desde 1850, destacando 0,5°C acima da média, numa medição feita entre os anos de 1961 e 1990. Baseado nesses números, o ano de 2014 tem grandes chances de superá-los.

Segundo a declaração de Michel Jarraud, secretário-geral da OMM “A temperatura global para o ano de 2013 é consistente com a tendência de aquecimento em longo prazo. A taxa do aquecimento não é uniforme, mas a tendência de elevação é inegável. Considerando a quantidade de gases do efeito estufa em nossa atmosfera, as temperaturas continuarão a subir por gerações”.

A publicação da OMM ainda ressalta que 13 dos 14 anos com as temperaturas mais altas teriam sido registradas também no século XXI. O recorde foi superado nos anos de 2010 e 2005, períodos em que as temperaturas registraram 0,55°C acima da média. Os anos de 2011 e 2012 foram classificados como os mais amenos. Contudo, a entidade aponta que 2013 divide a posição de sexto ano mais quente com 2007, quando as temperaturas também atingiram essa mesma marca.

Ranking de altas temperaturas

No ultimo dia 22, a NASA (National Aeronautics and Space Administration) publicou um comunicado ressaltando a contínua elevação das temperaturas da Terra desde a Revolução Industrial e a ligação deste fenômeno com o aquecimento global.

De acordo com esse relatório, 2013 foi o sétimo mais quente, enquanto a NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos) classificou-o na quarta posição. No entanto, as três entidades concordam que 13 dos 14 anos com as maiores temperaturas médias incidiram no século XXI.

aquecimento global
Foto: info.abril

Impacto dos índices elevados

A OMM deixa ciente que as temperaturas elevadas no hemisfério Sul entre novembro e dezembro foram decisivas para o recorde, principalmente na Austrália, onde os termômetros registram o ano mais quente da história. Em 2014, a continuação da onda de calor, como nos casos de países como Argentina e Brasil, está em monitoramento de perto pela organização. Para o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as cidades de São Paulo e Porto Alegre, por exemplo, tiveram o mês de janeiro mais quente desde que os registros começaram a ser computados.

Em relação ao consumo de energia, o boletim de Carga Especial divulgado no último dia 30 de janeiro pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) constatou que o Brasil alcançou a marca de 83.962 megawatts (MW) na quarta-feira (29) às 15h25. O alto índice de consumo de eletricidade está relacionado ao calor, pois é neste período mais quente do dia em que o ar condicionado é acionado em vários locais.

Eletricidade
Foto: super.abril

“A continuidade das altas temperaturas, principalmente nas capitais brasileiras, causa o aumento do índice de desconforto térmico, que, no dia 29, atingiu valores um pouco acima de 4°C com relação às temperaturas verificadas no Rio e Porto Alegre, na hora de maior insolação nessas cidades”, afirmou a ONS.

Entretanto, Jarraud salienta que, independente da posição que o ano de 2013 ocupe, é preciso elaborar uma ação global para mitigar impactos desse aquecimento enquanto ainda há tempo e mecanismos necessários. “Nossa ação – ou inação – para limitar as emissões de CO2 e outros gases moldará o estado do planeta para nossas crianças e netos”, alertou.