Entenda o que é efeito de borda nos fragmentos florestais

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ana_cotta Amazônia.

Os fragmentos florestais são as áreas de mata fechada que permanecem intactas em meio a uma plantação, um pasto ou uma área desmatada. As árvores das extremidades desses fragmentos ficam expostas ao clima, parasitas e outros fatores biológicos e químicos, se tornando menos saudáveis e morrendo lentamente. Este processo é o que chamamos de efeito de borda.

Quando a mata é derrubada e uma pequena área permanece isolada, as árvores que ficavam dentro da floresta passam a estar nas bordas do fragmento. Muitas espécies têm dificuldades de adaptação aos novos aspectos naturais à sua volta e adoecem.

Conforme as árvores da borda morrem, o efeito pode continuar ocorrendo nas remanescentes, com a possibilidade de toda a área ser extinta. Essas plantas têm morte lenta e gradual. Porém a dinâmica de um fragmento depende de diversos fatores: tipo de vizinhança, formato da área e grau de isolamento, por exemplo.

Além de muito mais vulneráveis às intempéries, as florestas fragmentadas acabam sendo invadidas por parasitas: plantas rasteiras, trepadeiras e capim adentram a mata e sufocam o crescimento e desenvolvimento de outras espécies. Muitas vezes, quando atingem esse ponto, as áreas são irrecuperáveis.

Quanto menor um fragmento florestal, mais sujeito ao efeito de borda ele estará. Como as dificuldades ocorrem em até 100 metros dentro da mata, muitos fragmentos são inteiramente áreas de borda.

Segundo especialistas, a variação de espécies é comum em todos os sistemas biológicos, porém os fragmentos de florestas possuem algumas características especiais, que os tornam mais complexos. A grande quantidade de pressão exercida sobre as áreas de florestas culminam na perda dessa diversidade.

© Depositphotos.com / hraska Fragmentos Florestais.

As mudanças que ocorrem na mata que fica à borda de um fragmento repercutem também na fauna local: com a entrada de algumas espécies de plantas e morte de outras, há mudanças na cadeia alimentar. Muitos animais silvestres morrem em decorrência da mudança em seu habitat, outros, afugentados, migram para áreas próximas.

Contudo, o fragmento florestal nem sempre está fadado aos efeitos de borda e à morte das espécies nativas. Procedimentos de manejo ambiental podem diminuir os impactos do isolamento de uma área de floresta, preservando boa parte de sua biodiversidade.