Danos causados pelas mudanças climáticas são “severos e irreversíveis”, afirma IPCC

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aquecimento global
Foto: info.abril

Liderado pelo cientista Chris Field, o segundo grupo de trabalho responsável pela produção do 5º Relatório de Avaliação (AR5), do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), publicou os resultados de seus estudos nesta segunda-feira (31/03), em Yokohama, no Japão. Assim como as prévias divulgadas na semana passada, o documento ressalta que as alterações de temperatura deverão causar “efeitos severos e irreversíveis” por todo o planeta, nos campos de recursos hídricos, segurança alimentar e extinção de espécies.

Conforme o “Climate Change 2014: Impacts, Adaptation, and Vulnerability” (Mudanças Climáticas 2014: Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade, numa tradução do inglês), elaborado por uma equipe composta por 71 pesquisadores, incluindo o brasileiro José Marengo, membro titular da Academia Brasileira de Ciências, a interferência humana em relação aos sistemas do clima já está ocorrendo, o que acarreta riscos para o homem e natureza em geral.

Avaliando os perigos a que a vida no planeta Terra está exposta, os cientistas acenam com a possibilidade de que os danos podem ser reduzidos e administrados através de adaptação e mitigação das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), principais substâncias provocadoras do aquecimento global. De acordo com o AR5, caso nenhuma medida de conservação seja implementada, as perturbações da temperatura afetarão especialmente as pessoas mais pobres, pois, suas fontes de sustento serão degradadas.

O AR5 indica que as geleiras continuam a derreter, impulsionando o deslocamento de espécies e a extinção de elementos da fauna e flora, assim como a migração de populações assoladas pela escassez de recursos ou devido a eventos extremos. Desta forma, a resiliência é o caminho para o desenvolvimento sustentável, apresentando-se como uma “trajetória que combina adaptação e mitigação para diminuir as mudanças climáticas e seus efeitos”.

Mudanças climáticas
Foto: © Depositphotos.com / originalstoonn

Segundo a pesquisa, ainda não é possível estimar os impactos das mudanças climáticas na economia global, por conta da amplitude de setores que o fenômeno abrange. No entanto, o IPCC já projeta que os salários, preços, regulamentos, tecnologia, padrões de consumo e governança serão as áreas mais atingidas pelas transformações infligidas à atmosfera.

De maneira geral, longos e frequentes períodos de seca farão com que a agricultura sofra sérios danos, tendo que ser transferida para localidades mais frias, uma ação necessária, considerando as futuras situações. Contudo, essa prática aumentará a tarifação dos alimentos, tornando-os menos acessíveis às comunidades carentes e dificultando o ingresso de novos cultivadores no mercado alimentício, pois será requerido mais investimento em infraestrutura, procedimentos técnicos e de logística.

Até 2050, o estudo prevê que o aquecimento global irá exacerbar os problemas de saúde que existem atualmente, seja por ondas de calor, frio intenso ou baixa disponibilidade de comida. Em 2100, os altos índices de emissão de GEE aliados ao clima quente e a pouca umidade do ar deverão comprometer atividades humanas, como o plantio e a execução serviços em áreas externas.

Sendo assim, pessoas deverão se deslocar em busca de recursos em outras regiões, o que “eleva os riscos de violentos conflitos na forma de guerra civil e atritos entre grupos”, deixando a integridade territorial de muitos países em condições críticas, alerta o 5º Relatório de Avaliação.

Mudanças climáticas
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Basicamente, os prejuízos gerados pelo fenômeno serão partilhados ao longo de todo o globo terrestre. Exemplo disso é que a China, consumidora de grãos, irá enfrentar longas temporadas de estiagem; mais incêndios ocorrerão na Austrália por causa da seca; a África terá problemas com falta de água; já o norte da Europa terá enchentes, principalmente devido ao constante derretimento das geleiras na Groenlândia.

No Brasil, as ameaças mais significativas têm como alvo a biodiversidade, possibilitando a aniquilação de alguns tipos de animais e vegetais. Entretanto, se projetos de adaptação baseados em ecossistemas forem implantados, os biomas entrarão em equilíbrio, algo que proporcionará climas estáveis, fornecimento de água e alimento, facilitando a preservação de todas as espécies, inclusive o homem.