Compensando a pegada de carbono pelo Paraguai

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Fernando Montoya Natura Office.

A vida é cheia de dúvidas e escolhas. Somos seres contraditórios, uns mais e outros menos. Conto isto porque minha viagem em princípio parece contraditória: um ambientalista viajando pelo mundo numa moto enorme que consome gasolina? Cadê a sustentabilidade?

Não pretendo ser um santo. Na hora de escolher o veículo pesou mais o conforto e a segurança (ABS, controle de tração, aquecedor de manoplas) do que o combustível. Aqui vem o que faz a diferença: não me conformava com o impacto ambiental que teria a Gaia. Como não posso eliminar a poluição da gasolina, a única opção é compensar essas emissões de gases estufa através de alguma atividade que reduza minha “Pegada de Carbono”. No final das contas trabalhei muitos anos calculando emissões para outros e compensando elas com projetos sustentáveis!

Porém a vida é o que acontece quando você faz planos e assim, sem querer, conheci, em Assunção, um colega motociclista com uma sensibilidade ambiental e social fora do comum: o Christian Eulerich, um paraguaio de origem alemã, proprietário de uma loja de acessórios de motos e uma empresa chamada Nature Office com um projeto fantástico de ajuda ao meio ambiente e à comunidades indígenas locais.

O Paraguai é uma terra injustamente desconhecida. Um país de contrastes onde Ferraris param nos mesmos faróis onde crianças em farrapos vendem fruta. Um lugar onde uma vida não vale muito e onde a violência reina desde antes da independência dos espanhóis. Também possui paisagens de beleza majestosa e um patrimônio da Unesco injustamente desconhecido: as ruinas jesuítas de Trinidad, as menos visitadas da larga lista de monumentos da Unesco.

A Escola de Autogestão

Em Trindade visitamos a escola local, onde todas as crianças estudam em guarani e espanhol, ambas línguas oficiais do país. A diretora nos contou como conseguem sobreviver com o escasso apoio do estado, na base de vender comida, organizar rifas e fazer malabarismos para pagar as contas e que todos os alunos tenham pelo menos uma comida decente por dia.

Foi pura sorte que tivesse visitado essa escola dias antes de conhecer ao Christian, porque assim consegui entender a grandiosidade do seu projeto, La Buena Cocina. Essa jovem empresa mede as emissões de gases estufa dos seus clientes e as compensa fabricando pequenos fornos de briquete nas comunidades indígenas onde as mulheres que cozinham com lenha ajoelhadas no chão ao ar livre, passam a cozinhar em pé, com dignidade e menos dores de coluna e consumindo muito menos madeira do que antes com as fogueiras abertas.

Uma ideia simples que consegue vários objetivos:

1. Melhorar a qualidade de vida das comunidades;

2. Reduzir drasticamente o consumo de lenha e as emissões de gases estufa;

3. Aumentar a autoestima delas, as autenticas protagonistas desta história, pelo fato de poder estar erguidas.

Fernando Montoya Escola autogestão.

O Christian é um bom exemplo de líder consciente. Um lutador incansável que escreve livros para a juventude do seu país esperando que eles consigam sair do ciclo de miséria, corrupção e conformismo que os está matando cada dia que passa. Incompreendido pela maioria dos seus paisanos, velhos de espírito, ele continua sua cruzada por um mundo melhor e mais justo.

Para saber mais desse projeto acesse: www.natureoffice.com/la/klimaschutz/la-buena-cocina.php .

Ânimo Christian, você não está sozinho nesse deserto!