Cientista do IPCC afirma que impactos do clima já têm consequências

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São Paulo
Foto: Futura Press

Embora a segunda parte do 5º Relatório de Avaliação (AR5), elaborado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), seja divulgada somente entre os dias 25 e 29 de março, em Yokohama, no Japão, o cientista Chris Field, co-presidente do Grupo de Trabalho II, antecipou que “os impactos das mudanças do clima que já ocorreram são muito evidentes, muito disseminados e têm consequências”. Exemplos dessa situação crítica são as alterações no clima da América do Norte e Europa e as ondas de calor que afetam algumas regiões do Brasil.

Ligado a Organização das Nações Unidas (ONU), o IPPC afirmou, na publicação da primeira parcela do AR5, que o acúmulo de Gases de Efeito Estufa (GEE) na atmosfera possivelmente provocará o aumento de 1,5°C na temperatura da Terra até o fim deste século. Portanto, devido ao aquecimento global, cerca de 94% das geleiras presentes no oceano Ártico serão derretidas até o verão de 2100, prevê a departamento.

Para Field, problemas sociais e ambientais como “fome, pobreza, enchentes, secas, guerras e doenças deverão piorar com o aquecimento global induzido pelo homem”, o que parece figurar como senso comum entre os estudiosos, uma vez que o economista britânico Nicholas Stern compartilha da mesma opinião. “A mudança para um mundo assim poderia causar migrações em massa de centenas de milhões de pessoas vindas das áreas mais afetadas. Isso levaria a guerra”, projeta ele.

Enquanto o Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe) estima que a falta de chuvas assolará os próximos verões no Brasil, o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC) prevê que o calor irá aumentar de 1°C a 5°C no País até 2100. Conforme o climatologista Michael Mann, diretor do Centro de Ciência do Sistema Terra, eventos devastadores como supertempestades, grandes enchentes, incêndios maciços, além da dizimação da agricultura e do gado, já estão gerando impactos em escala mundial.

Seca nos EUA
Seca nos EUA. Foto: uol

Sendo assim, o Instituto Potsdam para Pesquisas de Impacto Climático (PIK, sigla em alemão) indica que os eventos extremos podem ser causados pelo aquecimento global; a seca nos Estados Unidos, em 2011, a onda de calor na Rússia e as enchentes sem precedentes no Paquistão, ambos os fenômenos ocorridos em 2010, são citados como exemplos. Por isso, o planeta inteiro carece urgentemente de ações de mitigação emissão de GEE e adaptação para as perturbações climáticas.