Acúmulo de gases estufa na atmosfera é o maior já visto em 800 mil anos

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aquecimento global
Foto: info.abril

Nesta sexta-feira em Estocolmo (Suécia), o Painel Intergovernamental de Mudanças Climática da ONU (IPCC) constatou que a concentração de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso na atmosfera da Terra é a maior em 800 mil anos. O relatório ainda afirmou que este fenômeno, o aumento da temperatura e o nível do mar são caudados pela intervenção humana, que representa 95% dessas transformações, ou seja, as ações do homem são a maior causa do aquecimento global.

Divulgado há cada 6 anos, este é o 5° Relatório do IPCC o qual será lançado em quatro partes, entre setembro de 2013 e novembro de 2014. Hoje pela manhã foi publicado o documento do Grupo de Trabalho I, relacionado os aspectos científicos das mudanças climáticas.

Os cientistas participantes da elaboração deste documento realizaram quatro projeções considerando situações diferentes de emissões de gases-estufa. Os resultados mais favoráveis apontam que o aumento médio da temperatura até 2100 será de 0,3°C e 1,7°C, caso haja a diminuição das emissões e políticas de mudanças climáticas. No cenário mais pessimista, o aquecimento ficaria na marca de 2,6°C e 4,8°C.

“É muito provável que as ondas de calor ocorram com mais frequência e durem mais tempo. Com o aquecimento da Terra, esperamos ver regiões atualmente úmidas recebendo mais chuvas, e as áridas, menos, apesar de haver exceções”, co-presidente do grupo de trabalho responsável pelo primeiro relatório do IPCC, Thomas Stocker.”

Cerca de 260 especialistas e representantes dos governos de 195 países participantes desse relatório ressaltam que parte das emissões de CO2 provocadas pelo homem continuará a ser absorvida pelos oceanos. Portanto, é praticamente certo (99% de chances) que a acidez dos oceanos vai aumentar e afetar profundamente a vida marinha.

Aumento da temperatura da Terra

Clima semiárido
Foto: aquiacontece

O estudo divulgou que a temperatura média da terra já subiu 0,85°C entre 1880 e 2012 e, segundo as previsões do IPCC, pode atingir no mínimo 1,5°C até o final do século em relação à média constatada entre 1850 e 1900. As chances de que isso aconteça são de 66%, caso a queima de combustíveis fósseis continue no ritmo atual e não sejam aplicadas medidas para alterar o cenário atual.

Para o co-presidente do trabalho, Thomas Stocker, em entrevista para O Globo, “é muito provável que as ondas de calor ocorram com mais frequência e durem mais tempo. Com o aquecimento da Terra, esperamos ver regiões atualmente úmidas recebendo mais chuvas, e as áridas, menos, apesar de haver exceções” .

Alteração do nível do mar

Pesquisadores – inclusive brasileiros – participantes do relatório estimam ainda que no pior cenário possível de emissões, o nível do mar pode aumentar 82 centímetros e prejudicar as regiões costeiras ao redor do planeta. Além disso, foi comprovado que o nível dos oceanos aumentou 19 centímetros entre 1901 e 2010 e o gelo do Ártico pode retroceder até 94% durante o verão no Hemisfério Norte.

Controvérsias sobre o aumento de temperatura

Apesar de não ter sido divulgado no último relatório do IPCC, em 2007, uma das questões mais intrigantes quando se fala no aumento da temperatura global é a pausa desta elevação durante um período de 15 anos. Segundo dados divulgados pela Agência Estatal de Meteorologia da Espanha nesta semana, no último trimestre as temperaturas na Península Ibérica foram as mais baixas desde 2008.

Esses dados dão margem para argumentos de cientistas descrentes de que estagnação da temperatura seja positiva diante dos números já comprovados pelo IPCC.

Conclusões do relatório

Para John Kerry, secretário de Estado dos EUA, segundo entrevista concedida ao O Globo, “a mudança climática é real e está acontecendo agora, os seres humanos são a causa dessa transformação e somente a ação dos seres humanos pode salvar o mundo de seus piores impactos”.

Por mais que painéis de discussão sobre o impacto da intervenção humana sejam realizados com frequência, é preciso reaver as políticas de desenvolvimento dos países que na maioria das vezes contribuem para o aumento dos índices de emissão de poluentes, dentre outros impactos na natureza.

Emissão de CO2
Foto: mubi