A inversão térmica e a poluição atmosférica

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Poluição
Foto: info.abril

A inversão térmica é um fenômeno atmosférico que altera a convecção natural, que nada mais é do que o movimento de moléculas. A convecção faz com que o ar próximo à superfície do solo esteja em constante movimentação vertical de troca de temperatura do ar.

A convecção natural ou fluxo normal funciona da seguinte forma:

• A radiação solar aquece a superfície do solo. Essa ação faz com que o solo, o ar e as águas passem a receber mais temperatura;

• Como o ar quente é menos denso que o ar frio, o ar quente começa a trocar de lugar com a camada de ar que está acima dele, de ar mais frio;

• Acontece então o movimento vertical ascendente, onde o ar quente sobe;

• Com isso, também ocorre o movimento vertical descendente, em que o ar frio desce;

• A medida que o ar quente sobe uma camada, ele vai se resfriando. E o ar frio que desceu para superfície começa a ser aquecido;

• Assim, o ciclo se repete entre essas duas camadas, deixando uma terceira camada, acima delas, mais fria ainda.

Cidade inversão térmica
Foto: wikipedia

Esse é o processo constante de trocas por correntes de convecção. A inversão térmica ocorre quando condições desfavoráveis conseguem alterar a disposição das camadas na atmosfera.

Isso resulta em uma camada fria de ar próxima a superfície, uma camada de ar mais quente no meio e uma outra camada de ar frio acima. Normalmente é causada durante o inverno, onde há um resfriamento do solo. Também pode ser causada por um rápido aquecimento das camadas superiores da atmosfera.

Nesse caso, a camada de ar quente funciona como um bloqueio, impedindo as trocas e movimentos verticais de convecção. Como? O ar frio próximo ao solo não sobe porque é o mais denso e o ar quente que lhe está por cima não desce, porque é o menos denso.

E as consequências disso? As fumaças e os gases produzidos por indústrias e veículos não se dispersam pelas correntes verticais como acontece no fluxo normal. Os rolos de fumaça das chaminés assumem posição horizontal, ficando nas proximidades do solo e, com isso, a cidade fica tomada por uma “neblina” e a concentração de substâncias tóxicas aumenta drasticamente.

O resultado disso é um aspecto mais acinzentado da paisagem que é facilmente observado em grandes metrópoles e pólos industriais.

Inversão térmica
Foto: vozdoseven1

Para se ter uma ideia da gravidade desse fenômeno na era industrial, a primeira grande inversão térmica ocorreu em Londres em 1952. Naquela época, o principal poluente era o carvão mineral (que ainda é bastante utilizado atualmente), sendo responsável por uma camada de poluição prolonga com a presença de enxofre que causou a morte de 4 mil pessoas.

No ano de 2007 ocorreram duas grandes inversões térmicas na América do Sul. Uma foi na cidade de São Paulo, em uma altura de 58 metros com índices muito negativos de qualidade de ar. A segunda ocorreu em Santiago, no Chile, onde foram decretadas três situações de emergência ambiental. Nesse episódio, 60% dos veículos sem conversor catalítico e 20% dos equipados com o dispositivo não podiam circular.