Impactos ambientais do incêndio de tanques em Santos vão durar 5 anos

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Fonte: Reprodução A espuma utilizada no combate ao fogo e a grande emissão de poluentes no incêndio trarão impactos ao meio ambiente.

O incêndio nos tanques da empresa Ultracargo em Santos, controlado na última quinta-feira (9) após 8 dias de trabalho dos bombeiros, terá impactos ambientais que poderão durar pelo menos cinco anos, afirmam especialistas. Na terça-feira (7), foram recolhidas pelo menos oito toneladas de peixes mortos em uma área de pouco mais de 20 km de extensão.

Além da contaminação de plantas e animais, a emissão de poluentes na atmosfera pode ocasionar chuvas ácidas que comprometeriam a vegetação da Serra do Mar, alertou o zoólogo Marcelo Pinheiro em entrevista ao jornal o Estado de S. Paulo.

Segundo a Companhia Ambiental do Estado (Cetesb), até o momento os esforços estavam sendo direcionados ao controle do fogo. Agora, o Ministério Público Federal em Santos instaurou um inquérito para apurar as responsabilidades da Ultracargo, enquanto o Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema) investiga as consequências e danos ambientais do incêndio.

Fonte: Reprodução Pelo menos oito toneladas de peixes mortos foram recolhidas em uma área próxima ao incêndio.

Bilhões de litros de água usada para controlar o fogo voltaram para o ecossistema aquático com resíduos de combustível e produtos químicos, podendo tornar a situação da área de estuário e dos manguezais ainda mais crítica.

“Não podemos ainda prever com precisão quanto vai durar o impacto. Mas, dependendo da composição química da espuma e da quantidade utilizada, vai levar de cinco a dez anos para que a natureza se recupere e volte à situação original. Na água, esse produto poderá reagir com outros resíduos químicos, formando compostos mais tóxicos. A contaminação pode repercutir por toda a cadeia alimentar”, disse Pinheiro.

População sofre com os impactos

Segundo o gerente da Agência Ambiental de Santos na Cetesb, Carlos Eduardo Padovan Valente, o ar não apresenta alterações consideráveis. No entanto, a quantidade de oxigênio disponível na água foi reduzida drasticamente e a temperatura subiu 7°C, o que ocasionou a morte de peixes.

A fumaça preta que encobriu a cidade também afetou a saúde dos moradores que sofrem de problemas respiratórios. Para atender os casos de urgência, as policlínicas e unidades de saúde localizadas próximas à área do incêndio passaram a atender os moradores sem a necessidade de agendamento.

Combate ao fogo utilizou bilhões de litros de água do mar

O incêndio, que durou 8 dias, precisou de mais de 5 bilhões de litros de água do mar para ser combatido. De acordo com o porta-voz do Corpo de Bombeiros, Marcos Palumbo, 83 mil litros de água eram despejados por minuto na tentativa de resfriar os tanques.

Além da água, foi utilizado todo o estoque – 400 mil litros – de Líquido Gerador de Espuma (LGE) do país no combate ao incêndio.