Refúgio no Paraná registra reprodução em cativeiro inédita de onças-pintadas

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instagram.com/itaipubinacional Filhotes devem ser expostos para visitação no mês de março.

Segundo uma pesquisa realizada pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos e Carnívoros (Cenap), nos últimos 15 anos cerca de 80% da população de onças-pintadas localizadas na Mata Atlântica sumiram. Esse número assustador se dá pelo tráfego ilegal, porém, graças ao trabalho de conservação desenvolvido por algumas organizações que ajudam a proteger esses animais e a combater essas atividades ilícitas, esse cenário pode mudar.

Uma dessas organizações é o Refúgio Biológico Bela Vista (RBV), da Itaipu Binacional, situado em Foz do Iguaçu (PR), que tem o objetivo de preservar espécies raras de animais e ameaçadas de extinção. Após um longo trabalho, entre os dias 28 e 29 de dezembro de 2016, o local foi palco da primeira reprodução em cativeiro de onças-pintadas, depois de três meses da aproximação entre Valente e Nena.

Valente foi capturado em uma fazenda em Mato Grosso do Sul e tem nove anos e a recém-chegada Nena, doada pela unidade de conservação do Criadouro Científico Instituto Onça-Pintada, de Goiás, tem três anos.

A mãe e os dois filhotes estão isolados na maternidade recebendo os cuidados necessários, no Zoológico Roberto Ribas Lange, que fica dentro do refúgio, referência em reprodução de outros animais, como a harpia, o veado-bororó e a anta. A reprodução era um sonho antigo desses profissionais, tanto que o médico veterinário Wanderlei de Moraes, da Divisão de Áreas Protegidas da Itaipu, ressaltou ao site Itaipu Binacional: “Valente e Nena eram filhotes órfãos quando foram resgatados e não conseguiriam sobreviver na natureza. Hoje, eles têm o papel fundamental de contribuir para reprodução da espécie em cativeiro”. E completou: “Quem sabe um dia seus descendentes possam voltar à liberdade.”

Os bebês-onças passam bem e possuem a coloração preta, como a da mãe. Moraes explica que embora Nena seja preta e o Valente pintado, a diferença é apenas uma questão de pigmentação, em função da quantidade de melanina, pois ambos são da mesma espécie, a Panthera onça.

Reprodução em cativeiro era sonho antigo

O refúgio já tentou fazer a reprodução da espécie há 14 anos, em 2002, após a chegada da onça Juma. Porém, mais tarde foi descoberto que ela tinha problemas de infertilidade por conta da idade.

Com a chegada de Nena, eles tiveram uma nova esperança. Os especialistas que programaram a reprodução para depois de dois anos, tiveram uma grande surpresa quando essa previsão acabou sendo antecipada e a inédita reprodução em cativeiro aconteceu.