Metade de todas as novas usinas em 2014 era de energia renovável, diz IEA

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© Depositphotos.com / sellingpix Relatório aponta que este seria o momento ideal para o crescimento de energias renováveis em todo o mundo.

Desde os anos 1970, quando a primeira grande crise do petróleo deixou todo o mundo preocupado sobre a atual e principal matriz energética da humanidade, muitos cientistas, governantes, ONGs, celebridades e a sociedade em geral vêm discutindo alternativas para conciliar o desenvolvimento global com energias renováveis e que não agridam o meio ambiente. Mas será que é possível realmente mudar de matriz energética e tornar o mundo menos dependente do petróleo ou do carvão? Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), pesquisas recentes mostram que sim e que todo este processo já está em curso.

Somente em 2014, quase metade de todas as novas usinas de energia que foram inauguradas trabalham com energia renovável. Segundo a AIE, este é um “sinal claro de que uma transição de energia está em curso”. Tal resultado coloca a chamada energia verde como a segunda maior fonte de eletricidade do mundo, atrás apenas do uso de carvão, porém com expectativa de se tornar a nº 1 em 2030. “A maior história é no caso das energias renováveis, que não é mais um nicho… A energia renovável tornou-se um combustível popular a partir de agora”, afirmou Fatih Birol, diretor executivo da AIE ao jornal The Guardian.

Outro detalhe divulgado pelo relatório da AIE é que o preço do petróleo (atualmente na casa de US$ 50 o barril) pode subir “apenas” para US$ 80 até 2020. Além disso, a expectativa é que os investimentos em exploração petrolífera também caiam cerca de 20% em 2015. Hoje, 75% do mercado de petróleo têm como origem os poços localizados no Oriente Médio, justamente pela manutenção do preço do barril na casa dos US$ 50.

Momento ideal para renovar

A crise diplomática cada vez mais grave no Oriente Médio e a maior conscientização da população são dois fatores que contribuem diretamente para que este seja o momento ideal para o crescimento de energias renováveis em todo o mundo.

“A dependência de um número reduzido de países em uma região que está em crise pode não ser a melhor notícia para a segurança do petróleo”, complementou Birol, que também fez alerta sobre novos investimentos nas energias verdes. “Agora não é o momento para relaxar. Muito pelo contrário: um período de baixos preços do petróleo é o momento para reforçar a nossa capacidade de lidar com futuras ameaças de segurança energética”.

Para a AIE, o aumento no uso de energias renováveis também irá contribuir para a desaceleração nas emissões de carbono e outros gases tóxicos na atmosfera, amenizando o aquecimento global provocado pelo efeito estufa. Este ponto, inclusive, entrará em pauta na 21ª Conferência do Clima (COP 21), que ocorrerá em Paris, em dezembro. “Os líderes mundiais deverão definir uma direção clara para a transformação acelerada do setor de energia global. A diferença entre 2,7ºC e 2ºC não é algo que significa que você pode levar o seu casaco e se adaptar à vida… Terá grandes implicações para todos nós”, afirmou Birol.

Energias renováveis x carvão

O carvão ainda é a principal fonte geradora de energia elétrica no mundo, tendo aumentado sua participação de 23% para 29% nos últimos 15 anos. Todavia, o relatório da AIE aponta que esta participação deve cair para 15% até 2040. Importante ressaltar que desde o processo de extração do carvão, até a queima em si, muitos gases poluentes são despejados na atmosfera sem qualquer controle ambiental.

Entre os países que já estão mudando de matriz energética, a China aparece com destaque. “O boom da China em termos de crescimento e de procura de energia está chegando ao fim. Esta é uma história importante e tem implicações para o mundo inteiro. A China teve o maior programa de eficiência energética no mundo e é um exemplo no uso das energias renováveis”, finalizou Birol.

Em contrapartida, na Índia e no sudeste asiático, a perspectiva não é nada boa. O relatório da AIE aponta que a demanda de carvão nestas regiões deve triplicar até 2040. Para Birol, “o sudeste asiático é incrivelmente importante. É a única região do mundo onde a demanda de carvão aumentará neste nível”. Sobre a Índia, o diretor executivo da AIE alerta que o país ainda será dependente de carvão nos próximos anos, mas que algumas medidas já podem ser vistas para tentar melhorar a situação. Hoje, o país tem 20% de todas as instalações de energia solar do mundo.

2050: um mundo 100% com energia renovável?

Para quem discorda do relatório do AIE, o avanço na implantação de energias renováveis está, sim, acontecendo, porém ainda é preciso contar com maior participação e incentivo de líderes globais e empresas multinacionais. “A AIE calcula que estamos no caminho certo quando falamos de energias renováveis, porém ainda estamos distantes de um verdadeiro potencial de mudança. Acreditamos que, com o nível certo de apoio político, o mundo pode oferecer 100% de energia renovável para todos até 2050”, disse Emily Rochon, estrategista global de energia do Greenpeace Internacional.

“Se as políticas mudam, os números vão mudar também. Nossa projeção pode ser revista para cima já em 2016, assim espero”, complementou Birol.