Como funciona a recuperação de áreas degradadas por queimadas

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Área degrada por extração de bauxita no PA
Foto: Rafael Salomão/ Arquivo Pessoal

A degradação do meio ambiente pode se dar através da mineração, desmatamento, uso intensivo do solo para fins agropecuários como o uso de herbicidas, excesso de pastejo, salinização do solo e por queimadas consecutivas.

As áreas degradadas são aquelas que sofreram intensos distúrbios e, por si só, não possuem meios de regenerarem-se naturalmente. Geralmente nessas áreas são eliminados os bancos de sementes e as plântulas (os embriões das plantas que se encontram nas sementes), o que diminui ou elimina a capacidade produtiva de determinada região, apresentando baixa capacidade de voltar ao seu estado anterior. Tais áreas, independente de suas localidades, possuem características negativas em comum, como a menor diversidade de espécies e ausência de estrutura vegetal.

As ações humanas modificam o ecossistema de tal forma que os mecanismos naturais são perdidos e há grande dificuldade da natureza agir espontaneamente para recuperar uma área degradada, por isso há necessidade de uma nova intervenção humana para reverter ou diminuir os danos causados pelo próprio originador da degradação.

Essa recuperação tem como objetivo o fornecimento de condições favoráveis à reestruturação da vida vegetal – e consequentemente animal – nos ambientes em que não há condições do ecossistema restabelecer-se sozinho. As formas mais conhecidas para a recuperação de áreas degradadas são a implantação de espécies vegetais (reflorestamento), a construção de terraços verdes, banquetas e caneletas.

Os terraços e banquetas verdes são obras que podem ser realizadas nos terrenos cujo objetivo é nivelar e reduzir o escoamento das partículas do solo pela água da chuva, além de reter umidade nas bancas formadas (tais bancas são de pedra e são colocadas em curva de nível na área degradada).

Reflorestamento
Foto: florestalonline

Após a adaptação no solo, é feito o reflorestamento no local. Já as canaletas são canais abertos nos terrenos em declive que ajudam a diminuir a velocidade da água da chuva, geralmente feitos com argila.

Existem duas maneiras de se proceder a recuperação de áreas degradadas: uma é deixar que a natureza se regenere com o tempo, através da disseminação de sementes pelo vento e pelos pássaros. A outra medida é através da ação humana para o reflorestamento e cuidado do local. Entretanto em ambas as maneiras de recuperação é necessário que haja proteção das áreas contra o fogo, caso contrário todo o esforço, seja da natureza ou das mãos humanas, será em vão.