Estudo de Ouro Preto aponta que é possível construir casas com lama de rejeitos

506 views

 

Divulgação / UFOP A única diferença entre os tijolos alternativos (esquerda) e os convencionais (direita) é a cor avermelhada.

O rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samarco, no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, na região central de Minas Gerais, tem causado diversos transtornos à população. O acidente inundou várias casas e resultou em diversas mortes e desaparecimentos.

A busca constante por soluções resultou em uma alternativa inteligente e, ainda, sustentável. Para minimizar os impactos e a devastação, uma pesquisa da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) encontrou uma forma de transformar o lixo de minério, que surgiu após o rompimento, em material de construção.

Dessa forma, com o material, é possível produzir blocos para alvenaria, para pavimentação e para construção de casas. Segundo a equipe, o processo é, basicamente, um rejeito de lama prensado.

Iniciativa beneficia o meio ambiente

Em reportagem veiculada pela TV Brasil, os pesquisadores afirmaram que ao tirar a lama das barragens, o impacto ao meio ambiente é menor, porque será extraído menos areia, minério, argila e ainda reduz os volumes de sólidos nas barragens de rejeito.

A estimativa é de que sejam jogadas de 400 a 500 toneladas desse resíduo fora no meio ambiente nos processos comuns. Com esse total é possível fazer, aproximadamente, 40 casas de 40 m² a 45 m².

Para a fabricação, existem duas possibilidades. A primeira é captar os rejeitos de forma bruta e aplicar na elaboração de pré-fabricados, como tijolos, blocos de pavimentação urbana, canaletas e postes. A outra alternativa é “polir” os restos da mineração e separar em elementos secos, como argila, areia e o próprio minério de ferro, que retornaria ao início da produção.

Além de reduzir os impactos ao meio ambiente, a implantação ainda traria retorno financeiro às indústrias do setor. Isso porque o processo se paga através da própria separação dos materiais.

O investimento feito pela mineradora para construir esta unidade de reaproveitamento voltaria pela comercialização dos materiais. A areia é utilizada em larga escala pelo mercado local. A argila está cada vez mais difícil de ser encontrada e é utilizada na cerâmica. Enquanto o minério retornaria ao processo de mineração.