Desejos para 2014: uma perspectiva ambiental

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Todo início de ano, ainda que na prática seja somente uma mudança de calendário, temos a oportunidade de rever o que fizemos ou deixamos de fazer, como estão as coisas ao nosso redor e como gostaríamos que estivessem. Para além da nova folhinha que ganhamos no açougue (ou pelo vendedor de gás para os vegetarianos), o que precisamos por em prática é a nossa crença de que as coisas podem mudar se houver organização da sociedade civil. E neste texto, trago uma pequena lista de desejos para este ano, no que tange a área ambiental.

Natureza
Foto: valerii-ukraine-kiev

Vamos lá, em 2014 gostaria que:

• Houvesse a revogação do Código Florestal e a criação do Código da Biodiversidade proposto por Aziz Ab’Saber, geógrafo e ex-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC);

• Que a bancada ruralista no Congresso Nacional seja duramente combatida e que, grandes fazendeiros não sejam vistos como heróis nacionais. Heróis e Heroínas nacionais são trabalhadores e trabalhadoras que enfrentam diariamente horas de ônibus lotados, em péssimas condições, para trabalharem por baixos salários e morarem em zonas de risco, sem acesso a saneamento básico;

• O transporte público melhore, tenha tarifa zero e seu uso seja incentivado, ao invés do consumo de carros, que poluem, aumentam o consumo de recursos naturais e aumentam o tráfego;

• Todos os municípios do país tenham coleta seletiva e destinem seus materiais recicláveis para cooperativas que receberão apoio da prefeitura. E que os demais resíduos sejam destinados a aterros sanitários e não para lixões;

• A população entenda o quão digno é o trabalho de catadoras e catadores de material reciclável e o benefício imensurável que trazem ao ambiente;

Que crianças não nadem em meio ao lixo, nem ninguém;

• A Copa do Mundo só seja realizada se o país suprir primeiro seus déficits em educação, saúde, transporte, lazer, moradia e saneamento;

• A liberdade de expressão da população seja respeitada, as manifestações não sejam barbaramente reprimidas, porque lutar por direitos é direito e não crime;

• Todos os licenciamentos ambientais tenham completa lisura e não sofram a pressão dos empreendimentos, as avaliações de impacto ambiental sejam realizadas no tempo necessário;

• Não haja mais condomínios em Áreas de Proteção Ambiental (APA) e o desmatamento que tem causado aumento na temperatura e diminuição das chuvas seja substituído por projetos de reflorestamento;

• A usina hidrelétrica de Belo Monte tenha suas obras paralisadas, por entendimento do grande impacto ambiental negativo gerado e respeito às comunidades indígenas locais;

• Os rios sejam vistos como parte constituinte das cidades, que sejam respeitadas suas margens, não sejam canalizados e que os padrões de lançamento de esgoto sejam respeitados;

• A gente não acostume com a degradação ambiental, como um processo inerente a existência humana. Deixo aqui um texto da Marina Colasanti, interpretado pelo Antônio Abujamra, sobre o fato da gente se acostumar com tudo:

“Eu sei, mas não devia”

Então, que desacostumemos com a sombra de prédios ao invés das árvores, com o ar poluído e a feia fumaça que sobre apagando as estrelas!

Ainda dá tempo de desejar um Feliz 2014 a todas e todos que querem transformar o mundo num lugar onde haja justiça e igualdade!

Charge
Foto: Divulgação