Bicicletas: a rotina que inspira mudança

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Andar de bicicleta é uma prática saudável que tem diversos fatores positivos para a saúde, além de ser uma prática sustentável. Atualmente existem pessoas que preferem fazer um trajeto de curta ou média distância para se deslocar até o trabalho utilizando a bicicleta, auxiliando na diminuição do trânsito. Mesmo que pareça ser um número pequeno de pessoas, se compararmos aos que utilizam o carro para fazer um percurso semelhante, é uma atitude significativa para o nosso meio ambiente e que está crescendo lentamente a cada dia.

Bicicleta

Temos ótimos exemplos dessa prática sustentável pelo mundo, mas o primeiro país que me vem em mente é a Dinamarca. Na capital, Copenhague, cerca de um terço dos seus 1,2 milhões de habitantes utilizam bicicletas diariamente, é muito comum ver pessoas indo para a escola, trabalhar ou fazer qualquer outra atividade utilizando a bike. A história deles começou a mudar em meados dos anos 80, após a crise energética do final dos anos 70, foi necessário ter uma opção mais barata que os automóveis e com um custo de manutenção inferior para se locomover, a partir daí a cultura deles começou a mudar e a cidade se transformou na capital mundial da bicicleta. Para cada km pedalado na Dinamarca, o governo poupa 0,25 euros gastos na saúde, no caso dos carros eles perdem 0,16 euros para cada km percorrido.

A referência que citei é de um país que tem um ótimo ranking de qualidade de vida, além de outros benefícios e vantagens que ainda não é acessível para todos aqui no Brasil, mas se as autoridades montassem uma organização para os ciclistas, sabemos que o número de praticantes rotineiros aumentaria.

Com o corre-corre do dia a dia muitas vezes pensamos apenas em nós mesmos, sem nos preocupar com a qualidade de vida que está sendo jogada pela janela. Esta qualidade de vida não diz respeito só a nós próprios, mas também do nosso meio ambiente.

Somente o incentivo com as ciclofaixas – que na grande maioria só funciona aos finais de semana e feriados – não é suficiente para induzir as pessoas a mudarem seus hábitos”

Mas será que as grandes cidades do nosso país estão preparadas para receber o número de ciclistas rotineiros que vem aumentando a cada dia? Acredito que para aplicarmos essa prática sustentável e saudável temos que oferecer uma estrutura para o ciclista que está tão exposto ao trânsito, dividindo o espaço com motos, carros, etc. Está virando algo comum nos depararmos com notícias relacionadas à acidentes, muitas vezes fatais, com ciclistas. Somente o incentivo com as ciclofaixas – que na grande maioria só funciona aos finais de semana e feriados – não é suficiente para induzir as pessoas a mudarem seus hábitos. Uma solução teria que ser estudada com cautela, pois não basta alterar os esquemas de trânsito, já que os motoristas também seriam prejudicados, deveria ser colocada em prática uma estrutura com segurança e policiamento para nos sentirmos seguros e conscientes de que estamos fazendo a nossa parte. Além de trabalhar com uma mudança cultural, serviria de exemplo e incentivo para os demais aderirem a essa “nova prática” que foi abandonada pela maioria.

A experiência de utilizar um meio de transporte prático, econômico e que auxilia na prática da sustentabilidade é agradável, o fato de aprendermos um caminho novo, sentir um aroma diferente, descobrir um mundo que passava tão rápido dentro de uma janela, não tem preço.

Almejo dias melhores em que será possível ciclistas e motoristas respeitarem os limites de cada um e que a prática de usar bicicleta vire uma rotina.

Ângela Viera de Freitas

Ângela Vieira de FreitasEstudante de Design de Interiores pela UNIP. Trabalhando em uma grande multinacional do setor de Energia, Ângela Vieira teve maior contato com materiais de consulta que lhe proporcionaram maior conhecimento em temas que envolvem o meio ambiente, sustentabilidade em projetos de engenharia civil, elétrica e soluções tecnológicas. Há dois anos ela mantém o Blog Inspirações Sustentáveis em que compartilha matérias sobre meio ambiente e sustentabilidade.