Como é descartado o lixo nuclear do Brasil?

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Usina Nuclear Angra 1
Usina Nuclear Angra 1, Rio de Janeiro. Foto: infosurhoy

A continuação do Programa Nuclear Brasileiro, paralisado desde o acidente em Fukushima, no Japão, ainda esbarra em questões que preocupam ambientalistas. A principal delas se refere à estocagem dos resíduos radioativos. Com duas usinas em atividade hoje – Angra 1 e 2 –, o país ainda não possui um depósito definitivo de lixo nuclear, que permanece radioativo por cerca de 300 anos.

Atualmente, os resíduos radioativos produzidos por Angra 1 – em atividade há 28 anos – e Angra 2 – em operação há nove – são armazenados dentro das próprias usinas ou em depósitos nas imediações. O lixo de média ou baixa radioatividade (líquidos, filtros, roupas e equipamentos) é isolado dentro de barris metálicos, vedados com concreto para evitar o vazamento de radiação. Já o lixo de alta radioatividade é armazenado em piscinas especiais de resfriamento, onde permanece por pelo menos cinco anos.

Com uma produção anual de cerca de 100 metros cúbicos de lixo nuclear de alta radioatividade, a atividade enfrentará dificuldades para a destinação do material nos próximos anos. A previsão é de que as piscinas utilizadas como isolantes radioativos esgotem suas capacidades até 2020. Diante do problema, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) estipulou a construção de um depósito geológico definitivo como condicionante para a licença de operação de Angra 3, que deve ser concluída em 2016.

Usina Nuclear Angra 3
Angra 3. Foto: skyscrapercity

Outra alternativa para a destinação do lixo nuclear é o reprocessamento. Neste processo, o material radioativo já utilizado nos reatores é reciclado, gerando um reaproveitamento de 95% do combustível. Um dos elementos obtidos nesta reciclagem, o plutônio, é utilizado para produzir o MOX (Mescla de Óxidos), outro tipo de combustível nuclear que pode ser utilizado nas usinas.

Apesar de ser uma alternativa com vantagens ecológicas e econômicas, apenas a França, Reino Unido e Japão desenvolveram a tecnologia exigida para o reprocessamento. Por este motivo, alguns países enviam seu lixo nuclear para reaproveitamento nestes locais.