A terrível matança de baleias nas Ilhas Faroé

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Baleia-piloto
Foto: © Depositphotos.com / jogvan

De 1584 até agora, estima-se que 264.793 baleias-piloto tenham sido brutalmente assassinadas nas Ilhas Faroé, na Dinamarca, segundo a organização ambientalista ProWal. Este elevado índice de matança de baleias na região deve-se, principalmente, a um forte traço cultural dos habitantes locais. Descendentes dos antigos Vikings, os moradores das Ilhas Faroé associam a caça às baleias à demonstração de força e virilidade.

Anualmente, ocorrem na região cenas capazes de chocar fortemente qualquer ambientalista ou pessoa que se sensibilize pelos direitos dos animais. No dia 05 de junho, as baleias-piloto são literalmente encurraladas em uma baía nas proximidades da ilha de Sandoy. Quando já se encontram sem saída, são brutalmente assassinadas, deixando a água do local completamente vermelha de sangue. No Gradradap (caça a baleias, no dialeto local) de 2012, 716 baleias-piloto foram assassinadas.

Após a finalização da matança, as baleias mortas são levadas para as Ilhas e têm suas carnes divididas entre os membros da comunidade. Além do aspecto cultural, em tempos passados, a matança de baleias-piloto efetivamente servia para suprir as necessidades de alimento dos moradores das Ilhas Faroé. Atualmente, esta realidade encontra-se bastante transformada, já que estamos falando de um dos locais com as melhores condições de vida em toda a Europa.

Outro problema grave em relação ao consumo da carne desses animais é que as baleias-piloto desta região encontram-se contaminadas com mercúrio e outras substâncias tóxicas, oferecendo riscos bastante concretos à população local. Algumas enfermidades, como o mal de Parkinson, bem como problemas neurológicos em bebês, são verificados nas Ilhas Faroé em escala muito maior do que em todo o resto da Dinamarca. A mães moradoras da ilha possuem um altíssimo nível de toxicidade em seu leite materno.

Mesmo com todas essas evidências e a pressão de ambientalistas e ativistas do mundo todo para que a matança de baleias pare de ocorrer, a força da tradição ainda impera. A Dinamarca não conta com uma legislação que proíba o evento anual dos descendentes dos Vikings. Ao que parece, infelizmente, a baía de Sandur, onde os animais são encurralados e mortos, continuará vendo ano a ano suas águas manchadas de sangue.

Matança de baleias-piloto
Foto: Andrija Ilic/Reuters