A reserva Roosevelt e o problema causado pela extração de diamantes

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teacherafael Garimpo.

A reserva indígena Roosevelt foi criada em 1973 na cidade de Espigão do Oeste, em Rondônia. Com aproximadamente 2,7 milhões de hectares, atualmente é casa de mais de 1.200 índios da etnia Cinta Larga. Sob um olhar mais superficial, trata-se de mais uma grande reserva indígena brasileira, com suas dificuldades de preservação, demarcação e de convívio com os “homens brancos”. Porém, observando mais profundamente compreendemos os fatores que fazem da Reserva Roosevelt um caso especial.

Além de todas as riquezas em fauna e flora da floresta, a área de abrangência da reserva guarda em seu solo um tesouro de enorme valor financeiro, por tratar-se uma enorme jazida de diamantes. Para que se tenha uma ideia do que a área representa, a Companhia de Pesquisas e Recursos Minerais (CPRM) estimou que a região é a quinta maior em quantidade de diamantes do planeta. A CPRM chegou a esta conclusão a partir de dados fornecidos pelo governo japonês e pela NASA. Alguns especialistas, porém, acreditam que a quantidade de minerais preciosos pode ser ainda maior e especula-se que, na verdade, a Reserva Roosevelt esteja sobre a maior jazida de diamantes do mundo.

Para os índios, os limites de floresta demarcados constituem sua casa, o local onde podem vivenciar sua cultura e tirar seu sustento da natureza. A exploração garimpeira da região destruiria grande parte deste ambiente, tornando a vida desses índios impraticável e os obrigando a um forçado deslocamento. É certo, porém, que estar sobre minérios capazes de gerar tanto dinheiro fragiliza a condição desses índios, que mais de uma vez se viram ameaçados pela ação de garimpeiros.

Em 2004, a quantidade de pessoas explorando a região em busca de pedras preciosas começou a crescer vertiginosamente, gerando um óbvio descontentamento entre os indígenas. O desfecho deste impasse foi trágico: os índios assassinaram 29 garimpeiros, em uma chacina que ganhou as páginas dos jornais em todo o mundo. Os líderes indígenas afirmaram na época que as mortes ocorreram porque os garimpeiros não deixaram a região, mesmo depois de vários avisos para que partissem.

© Depositphotos.com / Gilles_Paire Garimpo.

Em dezembro de 2007, dois funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai), um integrante da Organização das Nações Unidas (ONU), um procurador da República e a mulher dele foram feitos reféns pela tribo indígena na mesma reserva. Entre as reivindicações do grupo estava a não liberação do garimpo em terras indígenas. Relatórios oficiais divulgados, em 2005, pelo governo brasileiro apontavam a exploração ilegal da área por empresas mineradoras multinacionais. Em maio de 2013 o Tribunal Regional Federal determinou o cancelamento de todos os requerimentos de pesquisa e exploração de minérios no entorno da área habitada pelos índios Cinta Larga.