A poluição da represa Billings

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Represa Billings
Foto: billingsrepresahistoria

Originalmente a Represa Billings foi planejada para o armazenamento de água para a hidrelétrica Henry Borden, de Cubatão. Com o passar dos anos sofreu alterações e recebeu águas dos principais rios da região, assim também como esgoto da Grande São Paulo.

A represa se tornou o maior reservatório de água da região metropolitana de São Paulo, são cerca de 110 km2 de espelho d’água, com uma vazão de 4,7 m3 por segundo. Sem um planejamento adequado, a represa acumulou uma quantidade enorme de água poluída e, principalmente, entulhos e lixo descartados de forma imprudente.

A represa é o local preferido de vários pescadores amadores que são atraídos pelas espécies de tilápias, lambaris, carpas húngaras e traíras, entre outras. Porém, eles estão ficando cada vez mais escassos devido à poluição, além da diminuição da população de aves e anfíbios.

São encontrados até móveis jogados às margens da represa e restos de carros e caminhões. O processo de despoluição da represa é lento e constantemente dificultado pelo contínuo descarte incorreto do lixo e falta de tratamento dos esgotos, tanto doméstico, quanto industrial das cidades próximas.

Tendo em vista essas condições, programas de conscientização e recuperação da represa vêm sendo feitos em parceria com órgãos públicos, empresas privadas e ONGs.

Um estudo de 2010 da Universidade de São Paulo (USP) mostrou que o fundo da represa está contaminado com metais pesados. Chumbo, cobre, níquel e zinco foram alguns dos elementos químicos encontrados. Esse tipo de contaminação pode comprometer a qualidade da água e a exposição prolongada pode provocar uma série de doenças, inclusive câncer.

Especialistas afirmam que o monitoramento é essencial para que o processo de recuperação seja eficiente. Como o local é muito grande, esse trabalho acaba sendo mais difícil de ser realizado e gerenciado.

Os braços Riacho Grande e Taquacetuba são os únicos utilizados na Represa Billings o para abastecimento de água e possuem um nível de poluição inferior aos demais locais.

Represa Billings
Foto: cimentoitambe

Desde 2008, programas governamentais têm investido na recuperação e tratamento das águas não somente da Represa Billings como de toda bacia da região metropolitana. Em 2009, com R$ 62 milhões de investimentos, entrou em operação o Sistema de Esgotamento Sanitário Billings-Tamanduateí, composto de 8,4 Km de tubulações de esgoto (Interceptor – Mauá), duas estações elevatórias de esgotos, 13,6 Km de coletores-tronco (outro tipo de tubulação destinada às ligações entre os sistemas de esgotos) nos municípios de Rio Grande da Serra e Ribeirão Pires.

O trecho de 22 Km concluído em 2009 foi interligado ao interceptor existente em Santo André, que termina na Estação Tratamento de Esgotos – ETE ABC (SP). Ao todo, de Rio Grande da Serra a São Paulo, são 40 Km de tubulações de grande porte, que estão em andamento, com investimentos de R$ 23,5 milhões, mais as obras para ampliar a coleta, afastamento e tratamento de esgotos na bacia da Billings.