Como o plantio de soja pode levar à perda da biodiversidade?

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Soja
Foto: tayprincess

A soja é o principal produto agrícola brasileiro. A modernização dos métodos de plantio, o investimento em maquinário e tecnologia, além do avanço da cultura para novas regiões levaram a um forte aumento de produção. O país ocupa o posto de segundo maior produtor mundial e, atualmente, os ganhos conquistados pela soja correspondem a 2% de todo o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil. O grande desafio, porém, é desenvolver esta cultura sem a perda da diversidade natural das regiões cultivadas.

Presente em áreas de grande biodiversidade, a maior parte do plantio da soja ou provoca o desmatamento ou ocupa áreas previamente desmatadas por pecuaristas. Após anos de uso, o pasto fica empobrecido e o gado é transportado para outros locais, sendo substituído pela soja. O resultado, direta ou indiretamente, acaba sendo a perda da biodiversidade e o desequilíbrio ambiental.

Na região da Amazônia, desde 2006 uma moratória inibe o avanço da soja – os signatários, principalmente empresas americanas e europeias, aceitaram a medida por não quererem ter seus nomes associados à destruição da maior floresta tropical do mundo. A medida conseguiu diminuir drasticamente o aumento do plantio na região. O mesmo não ocorre na também biologicamente rica região do Cerrado, no Centro-Oeste, justamente onde se concentra a maior zona produtora.

Plantio de soja
Foto: sba1

Além do desmatamento, o avanço da soja preocupa ambientalistas por outros efeitos nocivos de seu cultivo, como a presença de agrotóxicos e o plantio de variedades transgênicas – fatores que dificultariam ainda mais a recuperação do solo e o reequilíbrio do ecossistema local.

A valorização da soja no mercado internacional aponta para um aumento da área plantada e engrandece ainda mais os desafios para evitar a perda da biodiversidade nas zonas de cultivo.