Dia dos Animais e Dia Mundial da Natureza: Conheça as espécies em extinção

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Sapo de Vidro
Sapo de Vidro. Foto: anda

Dia 4 de outubro é o dia reservado no calendário ambiental mundial para lembrar a riqueza da biodiversidade da fauna e flora espalhadas pelos quatro cantos do globo terrestre. Mas de algumas décadas para cá, faltam motivos para a natureza comemorar. As atividades humanas transformaram o habitat de várias espécies de animais e alterou grande parte da Amazônia, maior floresta topical do mundo com pouco mais de 6 milhões de km².

De acordo com o estudo publicado pela revista científica PLOS Biology, existem 8,7 milhões de espécies de seres vivos reconhecidas no planeta, porém algumas ainda não possuem classificação. A questão é que os gorilas-das-montanhas, sapos de vidro, tigres de amur, pandas vermelhos, lêmures, entre outros seres vivos sofrem com o impacto do aquecimento global, pois o fenômeno modifica a sua moradia e interfere no número da população destes animais.

Um exemplo é o que acontece com os pássaros. Segundo o relatório State of the World’s Birds (O Estado dos Pássaros do Mundo), existem 1.313 espécies de pássaros ameaçadas em todo o mundo. As causas mais evidentes deste problema são a introdução de espécies exóticas, desmatamento, agricultura, aumento da poluição do ar e mudanças climáticas.

De acordo com a Birdlife International, instituto de pesquisa que estuda a conservação de aves, para protegê-las, é necessário investir US$ 80 bilhões por ano.

O aquecimento global afeta várias espécies

De acordo com estudos da Rede Brasileira de Pesquisa e Mudanças Climáticas Globais (Rede Clima), apresentados durante a 1ª Conferência Nacional de Mudanças Climáticas Globais realizada no mês passado, no Brasil os efeitos do aquecimento global provocam deslocamentos de mamíferos, anfíbios e outros animais em direção a regiões com umidade e temperatura mais adequadas às suas necessidades.

Tangará
Tangará. Foto: viajeaqui

Alexandre Aleixo, biólogo e pesquisador do Museu Paraense Emilio Goeldi (MPEG), que participou do evento, se baseou em uma pesquisa sobre a Mata Atlântica realizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para alertar sobre a real situação do ecossistema. Com base em análises estatísticas para 2050, Aleixo constatou que com o aumento de temperatura e a ocorrência de desmatamento, 120 tipos de aves podem perder habitat e 14 delas entrariam no grupo de espécies ameaçadas.

Aleixo, em entrevista para o portal Anda, disse que “as nossas previsões para 2020 e 2050 também apontam para um impacto muito maior das mudanças climáticas no sul da Amazônia do que ao norte da região, em função de variáveis ambientais e de altas taxas de desmatamento. Podemos ter um colapso do sistema florestal no sudeste da Amazônia, com imensos prejuízos para a biodiversidade”.

Impacto nas florestas

Um estudo publicado no primeiro semestre deste ano na revista Science, revela que além da Mata Atlântica perder em biodiversidade e em beleza, o desmatamento coloca em risco a própria reprodução da floresta.

A pesquisa liderada por Mauro Galetti, da Universidade Estadual Paulista (UNESP), aponta que com poucas árvores, as aves não possuem local para convívio e acabam migrando para outras regiões. Sem os animais de bico grande – como os tucanos – por perto, é mais difícil que árvores novas surjam, eles são responsáveis por colher sementes para o plantio e espalhá-las pelo resto da floresta.

Os pesquisadores ainda analisaram sementes da palmeira-juçara em 22 locais diferentes de Mata Atlântica remanescente e concluíram que nessas áreas os tucanos praticamente já não existem mais. Por isso, a reprodução dessa árvore está comprometida. Galetti conclui que “foi a interferência do homem, ao desmatar a Mata Atlântica, que reduziu a população de pássaros nos remanescentes de florestas”.

Conheça as espécies ameaçadas de extinção em todo o mundo

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