Dez mil mosquitos são lançados no Rio de Janeiro para eliminar a dengue no país

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© Depositphotos.com / © Depositphotos.com / Aedes Aegypti.

Considerada uma das doenças mais perigosas e letais de todo o mundo, a dengue pode estar com os dias contados. Isso porque, um projeto intitulado “Eliminar a Dengue: Desafio Brasil”, realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), promete combater o vírus transmitido pelo Aedes aegypti.

A iniciativa começou a ser desenvolvida na Austrália, há dois anos, quando uma equipe de pesquisadores conseguiu retirar a bactéria Wolbachia das moscas-das-frutas e passá-la para os mosquitos Aedes aegypti, injetando-a nos ovos dos mosquitos. A bactéria está presente em cerca de 60% dos insetos no mundo, incluindo pernilongos – a Wolbachia também atua na reprodução dos insetos, ou seja, se o macho contaminado fertilizar ovos de fêmeas, esses ovos não darão origem às larvas.

A ideia surgiu depois de estudos comprovarem que a bactéria era capaz de bloquear o vírus da dengue, impedindo que o mosquito transmitisse a doença ao picar alguém. Na primeira fase do projeto os pesquisadores monitoraram a população de mosquitos na região com o apoio dos moradores do bairro. Até hoje, em duas localidades, os mosquitos estão 100% com a bactéria.

No Brasil, o projeto começou a circular na última quarta-feira (24), quando a Fiocruz lançou os animais modificados no bairro de Tubiacanga, na Ilha do Governador, zona norte do Rio de Janeiro, onde moram cerca de 3 mil pessoas. O próximo passo é lançar nos bairros da Urca e Vila Valqueire, bem como em Jurujuba, em Niterói. Toda a área escolhida conta com a presença do mosquito o ano todo.

A fundação tem a expectativa de infectar toda população de Aedes aegypti na região até o final do ano. Caso os resultados forem positivos, o Ministério da Saúde deve expandir o projeto para outras áreas do Brasil.

Moradores em ação

De acordo com dados do Ministério de Saúde, em 2014 foram registrados 531 mil casos de dengue e 336 óbitos pela doença. Já em 2013, foram quase 1 milhão e meio de casos e 633 mortes registradas.

Para garantir maior eficiência na operação, bem como assegurar que o ecossistema não seja prejudicado, a Fiocruz buscou estreitar o relacionamento com os moradores das regiões, a fim de eliminar os criadouros.