Cientistas descobrem que o Ártico abrigou uma floresta há milhões de anos

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iStockphoto.com / sodar99 A explicação dos cientistas é que a mesma placa tectônica, agora no
Ártico, já esteve bem próxima da região equatoriana.

A natureza não cansa de nos surpreender, mesmo quando olhamos para um passado bem distante. Não é segredo para ninguém que o mundo já foi diferente do que é hoje em dia… Os continentes já foram um só pedaço de terra, o deserto do Saara já teve vegetação e assim por diante. As transformações ocorridas por milhões de anos moldaram a realidade que conhecemos nos últimos séculos, porém descobertas recentes revelam detalhes incríveis e que somente com o auxílio da ciência podemos entender. Por exemplo, você consegue imaginar uma floresta onde hoje é o Ártico?

Segundo estudo publicado por pesquisadores da Universidade de Cardiff, a bela paisagem ártica de Svalbard, na Noruega, já foi uma floresta tropical há milhões de anos. Para chegar à esta conclusão, Chris Berry e outros profissionais encontraram tocos de árvores tropicais em escavações em latitudes pouco visitadas e com o clima bem frio. A descoberta confirma que existiu ali uma floresta por volta de 380 milhões de anos atrás, justamente em uma época onde os continentes estavam posicionados em regiões diferentes do globo.

Os tocos de árvores encontrados foram da espécie lycopsids, bem semelhantes aos musgos.

Como é possível ter existido uma floresta onde hoje só tem gelo?

Através da movimentação por milhões de anos de placas tectônicas é possível compreender o deslocamento dos continentes, inclusive nos dias atuais. O ritmo é bem lento e imperceptível para todos nós, porém é um fenômeno que sempre aconteceu no planeta. No caso desta região norueguesa, onde hoje o frio predomina, há 380 milhões de anos este pedaço de terra era bem próximo da região equatoriana, ou seja, uma faixa do planeta com o clima perfeito para o surgimento de uma floresta tropical (a Amazônia está na faixa equatorial).

Outro detalhe da pesquisa é que os cientistas acreditam que o crescimento deste tipo de vegetação (lycopsids) ajudou na redução do dióxido de carbono na atmosfera. “Durante o período Devoniano, acredita-se que havia um nível bem mais baixo de dióxido de carbono na atmosfera, na casa de 15 vezes menos que há hoje em dia. A evolução da vegetação local é a causa mais provável desta queda no dióxido de carbono, isso porque as plantas absorvem o dióxido de carbono através da fotossíntese para construir seus tecidos”, afirmou Berry em notícia publicada pela Universidade de Cardiff.

Palco da diversidade da Terra

Aproveitando o clima frio de Svalbard (pelo menos nos dias atuais), os mesmos cientistas desenvolveram um repositório de amostras com sementes de todas as regiões do planeta, chamado de Doomsday Seed Vault. “É incrível que este lugar, que já foi uma floresta e hoje é só gelo, seja o palco para preservarmos a diversidade vegetal da Terra”, complementou Berry.