O Boto-Cor-De-Rosa da Amazônia

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Boto-cor-de-rosa
Foto: vivacomopuder

O boto-cor-de-rosa, que pode ser encontrado nas bacias dos rios Amazonas e Orinoco, é considerado o maior golfinho de água doce do mundo e um dos cetáceos com dimorfismo sexual mais evidente. Conhecido também por boto-vermelho, boto-rosa, boto-malhado, boto-branco, boto, costa-quadrada, cabeça-de-balde ou uiara, o animal é uma espécie de golfinho fluvial da família Iniidae.

Os animais são identificados pela cor rosada, encontrada principalmente nos adultos machos, e tem a dieta mais ampla entre os golfinhos, alimentando-se principalmente de peixes, tartarugas e caranguejos. Na época das chuvas os animais se deslocam para as áreas alagadas da floresta, onde há uma maior oferta de alimentos.

Em 2011, o boto-cor-de-rosa foi classificado pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais) na categoria de espécies com dados insuficientes, devido à incerteza em relação ao número total da população, a sua tendência e o impacto das ameaças.

Apesar da dificuldade de fazer um levantamento eficiente, o Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) realizou um estudo com a espécie, que indicou que a população de boto-cor-de-rosa está diminuindo 10% ao ano. Entre os fatores que contribuem para a situação está o fato de que muitos animais desta espécie ficam presos nas redes de pesca jogadas por pescadores.

A sua coloração também chama a atenção do mercado. A espécie é uma das que mais é mantida em cativeiro em vários aquários do mundo, principalmente nos Estados Unidos, Venezuela e Europa. Por ser um animal de difícil manutenção, a alta de mortalidade nesses casos – cativeiro – é muito grande.

Além disso, o mito que envolve a espécie também resulta na sua caça por moradores local. O intuito, nesse caso, é se alimentar do animal, para ficar enfeitiçado por ele pelo resto da vida. Acredita-se também que algumas pessoas que comem a carne do boto da Amazônia ficam loucas.

Boto-cor-de-rosa, a lenda

Boto-cor-de-rosa
Foto: joachim_s_mueller

Sempre que se fala em boto-cor-de-rosa, uma história contada há anos vem à tona. Acredita-se que nas noites de lua cheia, próximas da comemoração da festa junina, o boto-cor-de-rosa sai do Rio Amazonas, transforma-se em metade homem e continua em condição de boto na outra metade do corpo.

Com um ar atraente e um belo porte físico, o animal caminha pelas comunidades próximas ao rio, encanta e seduz a moça mais bonita da região. Sempre com o mesmo chapéu, ele leva a moça até a margem do rio e a engravida. Ao engravidá-la, o rapaz volta a ser um boto-cor-de-rosa e a moça volta a sua comunidade grávida.