Boto-cor-de-rosa utilizado como isca na Amazônia sofre ameaça de extinção

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Boto-cor-de-rosa
Foto: joachim_s_mueller

Uma pesquisa realizada pela bióloga Sannie Muniz Brum, do Instituto Piagaçu (Ipi), constatou que o boto-cor-de-rosa, animal encontrado na região amazônica, pode ter seu número de espécies ameaçado, pois sua carne é usada na pesca da piracatinga, peixe que se alimenta de animais mortos. O estudo aponta que esta atividade pesqueira coloca em risco a quantidade de botos pelo Amazonas.

A pesquisadora, juntamente com 35 comunidades de pescadores do Amazonas, estudou a pesca da piracatinga e chegou à conclusão de que o boto vermelho, popularmente conhecido como boto-cor-de-rosa, é a principal espécie usada na atividade.

Em entrevista à EBC, a bióloga alertou que a piracatinga é uma espécie de grande tamanho e alta produtividade, entretanto, moradores ribeirinhos os desprezam, pois o peixe consome carne podre. Por conta dessa desvalorização no país, o filé desse peixe pode custar apenas R$ 0,80 o quilo quando comercializado nos mercados de São Paulo, no Nordeste e Paraná. Mas os pescadores da região veem a piracatinga como fonte de lucro ao vendê-la para a Colômbia, país onde é valorizada. Esta comercialização, automaticamente, gera a redução das espécies de botos.

De acordo com Brum, o índice de mortalidade dos também conhecidos “golfinhos da Amazônia” é elevado na região do Baixo Purus devido a este tipo de pesca. Se 15 toneladas desse peixe forem pescadas somente nessa local, a estimativa é que de 67 a 144 botos-cor-de-rosa sejam mortos por ano para virar isca.

A preservação do boto vermelho se agrava por conta desses animais terem reprodução lenta. A fêmea gera os embriões por cerca de 10 meses e após esse período, ainda cuidam dos filhotes por quatro anos, ou seja, esses filhotes demoram a crescer e se reproduzirem.

Boto-cor-de-rosa
Foto: joachim_s_mueller

Outros fatores contribuem para a vulnerabilidade do boto-cor-de-rosa, como a degradação do seu habitat, gerada pela exploração e transporte de óleo e gás em Manaus, turismo desordenado, aumento do grande fluxo de embarcações no Pará, a implantação de novas usinas hidrelétricas e atividades de garimpo e mineração, que colocam em risco essas espécies.

Como alternativa para controlar a população desse mamífero, a pesquisadora afirma que deve haver uma intensa e contínua fiscalização por parte do Ibama, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e órgãos federais de conservação ambiental, além disso Brum disse que vai iniciar nova pesquisa para descobrir outra alternativa de isca para a pesca da piracatinga.