Lixo espacial está dificultando a visão das estrelas

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O céu repleto de resíduos também aumenta a probabilidade de os satélites colidirem uns com os outros e com outros objetos, formando ainda mais detritos brilhantes

Não é só o planeta Terra que está ficando repleto de resíduos: o espaço também. O alerta foi feito em um novo estudo, publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

De acordo com os cientistas, o céu noturno está se tornando cada vez mais cheio de satélites brilhantes e lixo espacial, que representam uma grande ameaça à visão geral do cosmos, bem como à pesquisa astronômica.

Os pesquisadores descobriram que mais de 9.300 toneladas de objetos espaciais estão orbitando a Terra, incluindo satélites inoperantes e pedaços de foguetes, que contribuem para aumentar o brilho do céu noturno em mais de 10% em grandes partes do planeta.

Com este aumento, torna-se mais difícil para os astrônomos fazerem medições precisas, além de também aumentar a probabilidade de perderem descobertas significativas por completo.

Luzes causadas pela implantação de satélites que compõem a constelação Starlink | Foto: Andreas Möller, Divulgação – Royal Astronomical Society

Dificuldade em observar as estrelas

De acordo com os pesquisadores, os satélites e o lixo espacial atrapalham as imagens astronômicas ao refletir a luz solar, produzindo faixas brilhantes, tornando difícil distinguir os objetos de outros de interesse astrofísico.

Os pesquisadores descobriram que esse efeito é mais pronunciado ao observar o cosmos com detectores de baixa resolução, como o olho humano, resultando em um brilho difuso em todo o céu noturno. Telescópios com alta resolução angular e alta sensibilidade também podem ter parte de suas imagens prejudicadas pela poluição luminosa, embora possam provavelmente transformar a luz refletida em manchas. Isso poderia obscurecer a visão astronômica de qualquer ponto do planeta Terra, dificultando o trabalho dos observadores de estrelas.

E o céu noturno pode ficar ainda mais brilhante, especialmente com a instalação contínua de “mega constelações” – grandes conjuntos de satélites que visam fornecer acesso global à Internet. Pelo menos 12 operadoras, incluindo Amazon, SpaceX e OneWeb, têm planos de lançar novos satélites de mega constelação ou expandir as redes existentes.

O Starlink da SpaceX tem atualmente 1.200 satélites em órbita, mas a empresa pretende aumentar sua frota para 42.000 nas próximas décadas – cerca de 14 vezes o número de satélites operacionais em órbita hoje.

Solução

Uma solução para o problema, proposta pela Agência Espacial Europeia (European Space Agency – ESA) em dezembro de 2019, é o lançamento de uma espécie de “robô coletor”, com quatro braços, para coletar o lixo espacial.

Operadores de satélite como a SpaceX também vem trabalhando para reduzir o brilho de suas espaçonaves, através de mudanças no design. Apesar desses esforços, o efeito coletivo de um aumento acentuado no número de objetos em órbita mudará a experiência do céu noturno para muitos em todo o planeta.

Os pesquisadores esperam que este trabalho mude a natureza do diálogo entre operadores de satélites e astrônomos para que encontrem a melhor forma de gerenciar o espaço orbital ao redor da Terra.