Arqueólogos descobrem que há 3 mil anos homens já se preocupam com a reciclagem

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Pesquisadores descobrem evidências de práticas de reciclagem feitas no sul de Dubai, numa região que foi um importante centro de metalurgia

Arqueólogos poloneses fizeram uma descoberta que dá indícios de que a reciclagem é uma prática muito mais antiga do que se imagina. Os pesquisadores encontraram objetos reciclados por metalúrgicos que viviam na região sul do Golfo Pérsico – onde hoje fica Dubai. Os cientistas trabalham no sítio arqueológico de Saruq Al Hadid, no deserto de Rub al-Khali, ao sul de Dubai, e lá encontraram ferramentas feitas a partir de vasos de cerâmica quebrados.

O sítio arqueológico de Saruq Al Hadid, descoberto em 2002, reúne evidências de ter sido um importante centro metalúrgico, há cerca de 3 mil anos. Isso se deve às descobertas feitas no local, que revelou uma grande quantidade de artefatos produzidos em cobre, bronze, ferro, ouro e prata, levando os pesquisadores a entender que o local realizava fundição de metais em larga escala. Em escavações recentes, os arqueólogos poloneses descobriram 2.600 objetos de metal, incluindo armas, enfeites, joias e alguns itens icônicos, como imagens de cobras.

Nas escavações, os cientistas descobriram que o local já foi muito diferente da paisagem desértica de agora. A área abrigava vários oásis e um grande número de árvores, além de lagos. O chefe da equipe, o polonês Karol Juchniewicz, disse ao site Science In Poland que esta é a única explicação para a localização de fornos de produção de metal em um local que hoje é um deserto sem fim.

A descoberta

O centro metalúrgico foi descoberto pelo primeiro-ministro e vice-presidente dos Emirados Árabes Unidos, Sheikh Mohammed bin Rashid Al Maktoum, enquanto pilotava seu helicóptero sobre dunas de areia no deserto de Rub al-Khali.

Ele notou que as dunas estavam dispostas de maneira incomum, com um grande número de pedras negras entre elas. O Sheik relatou a descoberta aos cientistas, que foram investigar o local. Ao chegarem lá, os pesquisadores identificaram que as pedras negras eram, na verdade, escórias, um subproduto da fundição de minério para purificar metais.

Foi então que eles descobriram que Saruq Al Hadid é um dos locais mais importantes da Idade do Ferro, não só dos Emirados Árabes Unidos, como de toda a Península Arábica, quando abrigou um importante centro de comércio e metalurgia, que viveu o seu auge por volta de 1.100 a.C. e 600 a.C.

Os milhares de objetos já encontrados no local ajudam a compreender melhor o estilo de vida, comércio e atividade industrial da Idade do Ferro nas Arábias. Os tipos de objetos descobertos em Saruq Al Hadid mostram que as pessoas daquela região mantinham contato com grandes regiões do mundo antigo, incluindo a Mesopotâmia, Síria, Índia e Egito.