Dilma reconhece Chico Mendes como patrono do meio ambiente brasileiro

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Chico Mendes
Chico Mendes. Foto: wikimedia

O líder seringueiro Chico Mendes lutava pela preservação das florestas e conservação de árvores seringueiras, mas foi assassinado a tiros no quintal de sua casa, no município de Xapuri, no estado do Acre, em 1988. No entanto, a memória do defensor da natureza tem inspirado ONGs, ambientalistas e autoridades do País, e por reconhecer a importância deste personagem, a presidenta Dilma Rousseff sancionou, no dia 16 de dezembro, a lei que oficializa Chico Mendes como patrono do meio ambiente do Brasil.

Além disso, em agosto de 2007, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva estabeleceu a Lei nº 11.516, que decretou a criação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, para fomentar programas de pesquisa, executar políticas de sustentabilidade, proteger a natureza e exercer o poder de polícia ambiental.

Nascido em 1944, Chico, o filho de Francisco Alves Mendes e Maria Rita Mendes, acompanhava o pai, que atuava como seringueiro, em excursões pela mata desde criança, atividade que o distanciou dos estudos, uma vez que não havia escolas próximas aos seringais. Por isso, o rapaz só aprendeu a ler aos 20 anos, o que não o privou de desenvolver senso crítico e consciência ambiental, pois, a partir de 1975 iniciou sua trajetória como ambientalista.

Sob o cargo de secretário geral do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia, Chico Mendes passou a apoiar e participar dos protestos dos seringueiros para impedir o desmatamento, já que os proprietários de terras não demonstravam interesse pelas árvores das quais os profissionais necessitavam para trabalhar. Através dos “empates”, manifestações pacíficas em que as pessoas utilizavam o próprio corpo para proteger as plantas, o líder seringueiro passou a evitar que espécimes fossem derrubados.

Chico Mendes
Foto: tribunadojuru

Buscando unir os interesses das comunidades indígenas, populações ribeirinhas, seringueiros, pescadores e outros extrativistas, Chico Mendes defendia ativamente a posse da terra pelos habitantes nativos e, através de uma aliança com índios amazônicos, influenciou o governo a criar reservas florestais para a colheita não predatória de recursos naturais.

Por promover debates públicos sobre sustentabilidade, ecologia e reforma agrária, o ambientalista chegou a ser torturado em 1979, e, devido às ações de proteção ao Seringal Cachoeira, no Acre, Chico Mendes teve a morte arquitetada pelo fazendeiro Darly Alves, tragédia concretizada no dia 22 de dezembro de 1988. Darly e seu filho, também envolvido no crime, cumpriram 19 anos de prisão, porém, outros cúmplices saíram impunes.

Sessão solene no Congresso Nacional, em Brasília/DF, em memória do seringueiro
Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

No dia 16 de dezembro de 2013, houve uma sessão solene no Congresso Nacional, em Brasília/DF, em memória do seringueiro. Embora o falecimento de Chico Mendes tenha completado 25 anos, seus ensinamentos, valores e legado permanecem vivos. Exemplo disso é a homenagem feita pelo músico Jessé, que batizou uma letra com o nome do defensor da natureza, cantando: “Um homem é uma árvore, é milagre que se repete eternamente. Na multiplicação dos frutos, o exemplo da solidariedade”.