Estudo afirma que mais de 75% dos grandes carnívoros estão sumindo da natureza

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Lobo
Lobo. Foto: tambako

Mais de 75% dos grandes carnívoros estão desaparecendo por causa da perda de habitat, caça ilegal e eliminação de presas, é o que afirma o estudo “Status and Ecological Effects of the World’s Largest Carnivores” (Status e Efeitos Ecológicos dos Maiores Carnívoros do Mundo, numa tradução do inglês), publicado na Science Magazine, no dia 10 de fevereiro deste ano. Conforme a análise, das 31 maiores espécies que ainda existem no planeta, 24 tipos animais estão em declínio, ocupando menos da metade de sua área original.

Conduzido por William J. Ripple, professor do Departamento de Ecossistemas Florestais e Sociedade da Universidade Estadual de Oregon, nos Estados Unidos, e uma equipe composta por 13 pesquisadores, o levantamento aponta que o sudeste da Ásia, sul e leste da África e a Amazônia são as principais regiões nas quais os elementos estão sumindo mais rapidamente. “Globalmente, estamos perdendo nossos grandes carnívoros”, alerta Ripple.

À medida que estes bichos são extintos, desequilíbrios em seus respectivos ecossistemas podem ser constatados, garantem os especialistas. Exemplo disso é que, com as baixas entre as populações de pumas e lobos, os números de alces e veados foram multiplicados, prejudicando a regeneração de florestas e da mata ciliar no Parque Nacional de Yellowstone (EUA), uma vez que estes espécimes se alimentam de folhas e galhos.

No continente africano, a escassez de leões e leopardos tem acarretado na proliferação de babuínos-oliva, indivíduos que ameaçam cultivos e rebanhos. Além disso, os frequentes abatimentos de dingos, linces e lontras-marinhas estão propiciando o descontrole populacional de algumas espécies e o consumo excessivo de recursos naturais, espalhando situações de colapso em diversos biomas pelo mundo. “Dizemos que estes animais têm o direito intrínseco de sobreviver, mas eles também estão fornecendo serviços econômicos e ecológicos que as pessoas valorizam”, explica o professor da Universidade Estadual de Oregon.

Por isso, o time responsável pelo estudo sugere que uma ação internacional para conservação desses animais seja desenvolvida de maneira urgente, a exemplo da Iniciativa para Grandes Carnívoros da Europa, ONG afiliada à União Internacional de Conservação da Natureza (IUCN). “No fim, a sociedade determinará o destino destes animais”, sentencia Ripple.

Leão
Foto: dkeats