Em extinção, morte de onça-pintada aumenta ainda mais preocupação com a espécie

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iStock.com / Trevorplatt Durante a passagem da toca olímpica, onça Juma foi morta.

A tragédia ocorrida no Zoológico do Cigs (Centro de Instrução de Guerra da Selva), em Manaus, na última segunda-feira (20), em que um militar sacrificou a vida de uma onça-pintada após perder o controle de uma apresentação olímpica que acontecia, reacendeu uma antiga discussão a respeito da preservação das espécies animais.

A onça-pintada, tida como o maior felino das américas, é um dos animais que melhor caracterizam a fauna brasileira, sendo observada com uma certa frequência nas matas e florestas do país. Porém, já há algum tempo desde que a espécie entrou em processo de extinção, passando a desaparecer de vários pontos espalhados no Brasil e no mundo.

O episódio que culminou na morte da onça Juma não só serviu para indignar todo o país, mas, principalmente, para causar reflexão na maneira como a atividade humana tem alterado a relação do planeta com a natureza animal.

Para se ter uma ideia, de acordo com o levantamento feito pelo Cenap (Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos e Carnívoros), instituição criada pelo Ibama, nos últimos 15 anos, cerca de 80% da população de onças-pintadas da mata atlântica deixou de existir. Isto significa dizer que pelo menos 1000 animais perderam a vida só naquela região desde que o século começou. Atualmente, a população local da espécie gira em torno de 250 animais.

Os dados assustadores são uma realidade cada vez mais comum para a Panthera onca (nome científico da espécie). Vítimas do tráfego ilegal e objeto de desejo para os caçadores, elas sobrevivem graças ao trabalho de conservação praticado por algumas organizações e também aos esforços do exército – protegendo os animais e combatendo as atividades ilícitas.

Independentemente da falha ocorrida no Cigs, em que todos os envolvidos têm sua parcela de culpa, vale ressaltar que a morte da onça Juma representa muito mais do que o assassinato de um animal que não deveria estar naquele local, com a finalidade de “servir” os compromissos do COI (Comitê Olímpico Internacional). A situação alerta para a maneira como os animais, sobretudo, as espécies em extinção, são eliminados pela ganância humana.

A região sudoeste do território norte-americano, antigo habitat natural da Panthera onca, é um exemplo de que a extinção da espécie se confirmou e hoje já não é mais encontrada com facilidade em lugar algum em qualquer parte do país.

Para que no Brasil as coisas não se desenvolvam da mesma forma, é preciso que cada um assuma sua parcela de responsabilidade no tratamento aos animais que sofrem risco de extinção, participando de atividades que conscientizem toda população a ficar alerta com possíveis crimes contra as espécies.