Songdo: Uma cidade inteligente totalmente controlada via internet

Infográfico Cidades Sustentáveis - Songdo

Como impactar a sociedade sobre os efeitos das mudanças climáticas e tentar transformar a consciência coletiva de que nossos recursos naturais estão acabando, e que para isso teríamos que repensar uma nova forma de mobilidade urbana para poupar o meio ambiente? Songdo, na Coréia do sul, é uma cidade projetada para abrigar 40 mil habitantes espalhados pelos 1.570 km², baseada em sistemas inteligentes capazes de monitorar o semáforo, o curso do trânsito e até se garrafas pet são descartadas corretamente. O transporte elétrico e aquático também foi planejado para melhorar a mobilidade urbana da população.

O projeto de Songdo, uma Smart City construída a 65 quilômetros de Seul, capital coreana, pretende ir além dos conceitos da sustentabilidade, preservação de áreas verdes e produção de energia limpa. A quarta cidade do especial Cidades Sustentáveis, que possui apenas 6 km de extensão está localizada às margens do Rio Amarelo, já é referência de metrópole do futuro, pois gerencia a estrutura da cidade através de um sistema de rede sem fio e favorece a mobilidade dos cidadãos.

Master Plan de Songdo

Masterplan da cidade de Songdo, Coréia do Sul, com previsão de ficar pronta até 2015.
Foto: Divulgação

O governo já investiu US$ 80 bilhões para a construção de Songdo, que está em desenvolvimento pelos engenheiros e arquitetos da Gale International e a Cisco, empresa responsável pelo sistema de tecnologia. Em 2012 cerca de 100 prédios já foram construídos para começar a abrigar parte das 22 mil pessoas que pretendem levar um ritmo de vida conectado a natureza sem se esquecer da tecnologia. A cidade começou a ser construída do zero em 2005 e tem previsão de término para 2015. Embora um pouco longe do prazo, Songdo já tem 40% da estrutura operante. No ano passado já foram vendidas 25 mil unidades de apartamentos, cada um no valor de US$ 2 bilhões.

O planejamento é baseado em eficiência energética com produção de energia limpa – utilização de fontes renováveis –, uma das premissas básicas da sustentabilidade. O projeto conta com a produção de energia elétrica provida da luz solar captada pelos painéis e vidros fotovoltaicos colocados nos edifícios. “Songdo é estudada por muitos países e governos como um exemplo de como conectar comunidades com mais eficiência energética e de como organizar a vida urbana”, relata Stan Gale, diretor da Gale International.

Tratamento da água

The Green Avenue

Prédios com telhado verde na Green Avenue. Foto: Divulgação

Existe um planejamento para evitar desperdícios e reutilizar a água através de um sistema de retenção da demanda pluvial. Até mesmo aquela água que foi usada para lavar pratos e roupas também pode ser armazenada e servir para a irrigação das praças e outras vegetações da cidade. O sistema permite também a irrigação com apenas um décimo da quantidade de água limpa que seria esperada para uma cidade desse porte.

Outra maneira para armazenar este recurso natural previsto pelo projeto é plantar vegetação no topo dos edifícios, o que pode reduzir a perda de água da chuva e contribuir com o crescimento das plantas. Neste procedimento as plantas armazenam a água para realizar a fotossíntese e equilibrar os índices de CO2 na atmosfera.

Transporte livre da emissão de gás carbônico

Songdo busca atender os objetivos de uma cidade sustentável também com a criação de um transporte que não emita CO2. Uma alternativa para poupar a atmosfera e facilitar a vida da população são os taxis aquáticos, carros com capacidade para se locomover sobre as águas. Outra solução são os carros elétricos que ao contrário dos automóveis comuns, não poluem a atmosfera com a emissão de gases tóxicos.

Além disso, no planejamento estão previstos metrôs e bondes elétricos para circularem pela cidade. As estratégias de transporte coletivo são para evitar os aglomerados de veículos pelas ruas, para atingir a meta de uma cidade livre de congestionamentos

Water Táxi em agosto de 2009. Foto: Divulgação

Water Táxi em agosto de 2009. Foto: Divulgação

Segurança e economia de energia

Pelas ruas também haverá monitoramento para garantir a segurança dos moradores. Postes de luz da cidade possuirão sensores de presença que vão aumentar a intensidade somente quando houver pessoas passando naquele lugar. A tecnologia contribuirá para a economia de energia elétrica, pois não será preciso deixá-las funcionando quando ninguém passa.

Lixeiras com sensor de Wifi

As lixeiras possuem um sistema de rede sem fio que detectam as informações dos cidadãos que compraram as latas de refrigerante ou garrafas de bebidas que já saem do supermercado com etiquetas eletrônicas. Na hora da compra é realizado um cadastro e os dados pessoais ficam registrados no produto. Dessa forma, se estas garrafas, quando estiverem vazias, forem descartadas nas lixeiras, o sistema é capaz de detectar a quem o resíduo pertenceu e pode gerar desconto nos impostos. O objetivo é incentivar o descarte correto e ainda bonificar os consumidores pela atitude.

Lixo reciclado debaixo da terra

Materiais recicláveis e orgânicos são depositados nas lixeiras e levados por canos pressurizados até um local de separação do lixo debaixo da terra. Dessa forma, não será necessário que caminhões emitam CO2 pelas ruas da cidade para coletá-los.

Songdo sem trânsito

Os sensores colocados no asfalto detectam a velocidade dos veículos e conseguem com este dado calcular o tempo de abertura dos semáforos. Assim, dependendo da velocidade dos carros, os faróis podem abrir em menor tempo para evitar engarrafamentos.

Arborização

Sem se esquecer da presença da natureza, Songdo será uma cidade “verde”, com 40% da área reservada para a construção de parques e praças. Um dos espaços será uma área de 41 hectares. Estas áreas são importantes para aumentar os níveis de oxigênio na atmosfera e equilibrá-los com o gás carbônico existente, e ainda promover momentos de lazer ao moradores.

Central Park de Songdo

Central Park de Songdo em agosto de 2009. Foto: Divulgação

Eficiência energética

O projeto de Songdo vende soluções para que os edifícios comerciais e residenciais economizarem energia elétrica ao utilizar a energia solar. Esta medida do projeto é interessante, pois pretende prolongar os recursos naturais da terra. Porém, só a presença da tecnologia não é suficiente para organizar e manter uma população dentro de uma cidade sustentável.

Participação da sociedade

“Algumas pessoas querem ajustar uma cidade como se faz com um carro de corrida, mas estão deixando os cidadãos fora do processo”, diz Anthony Townsend, diretor do Instituto do Futuro e autor do livro “Cidades inteligentes: grandes dados, hackers cívicos e a busca por uma nova utopia”, em entrevista para a BBC Brasil.

É preciso saber como inserir o conceito de sustentabilidade no cotidiano da população coreana e fazê-las entender a importância de todos estes programas de preservação de recursos naturais e criar na sociedade a responsabilidade ambiental sem depender da tecnologia.

Confira agora a galeria de fotos da cidade de Songdo que o Pensamento Verde preparou para você:
 
O projeto dos sul-coreanos é realmente fascinante, o que você achou? Caso tenha gostado, espere então para conhecer a cidade que conseguiu reverter o status de cidade mais poluída do mundo através de um projeto impressionante. Aguarde até o dia 16 de outubro e conheça mais uma das Cidades Sustentáveis.
Ingrid Araujo

Jornalista formada desde 2010, atualmente redatora do Pensamento Verde, escrevendo matérias relacionadas à preservação do meio ambiente e sobre sustentabilidade. Atuou como Diretora do Centro de Formação de Condutores e Educadora de trânsito, lecionando nas matérias de Legislação de Trânsito, Meio Ambiente e Cidadania.